
O jornalista Boris Casoy voltou a defender o apoio que deu ao golpe de 1964, que derrubou o presidente João Goulart e instalou uma ditadura militar que durou 21 anos no Brasil. Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, na Folha, publicada no último domingo (31), o apresentador afirmou que não se arrepende da posição adotada à época.
“Arrepende-se de ter apoiado o golpe de 64?”, perguntou o repórter da Folha. Boris respondeu: “Não me arrependo. Primeiro, é preciso levar em consideração que havia um ambiente de Guerra Fria. Segundo, os meus pais saíram da Rússia, aliás, a região em que eles moravam hoje é a Ucrânia, mas pertencia à Rússia naquela época, e descreviam o que era o comunismo. Minha mãe dizia que o que estava acontecendo no Brasil naquele período se parecia com a realidade da Rússia”.
Na mesma resposta, o jornalista afirmou que via risco político no governo João Goulart. “Existia mesmo um perigo, talvez não tão intenso quanto um regime comunista, mas uma república sindical, algo assim. O governo [de João Goulart] não ia bem, havia movimentos revolucionários de esquerda no Nordeste, as Ligas Camponesas. Já havia Cuba, um país comunista”.
Boris também contestou a forma como setores da esquerda tratam hoje as ações de guerrilha no período. “Existia também a guerrilha. Hoje a esquerda brasileira –inclusive o Lula– caracteriza [as ações da guerrilha] como uma luta democrática, mas não eram, eram uma luta para impor um regime. Nenhuma das guerrilhas queria a volta dessa democracia tal como a conhecemos”.
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Apesar da defesa do golpe, o apresentador disse que passou a apoiar a redemocratização depois. “Mais tarde, apoiei a volta da democracia, mas não me arrependo [do apoio ao golpe]”, afirmou.
Na entrevista, Boris também se definiu politicamente como alguém de “centro-direita”. “Eu seria uma direita europeia civilizada, liberal mesmo. A esquerda precisa ser respeitada, há ideias e governos de esquerda e centro-esquerda muito bons”, declarou.
O jornalista disse ainda que procura separar ideologia da gestão cotidiana do país. “Procuro separar a ideologia da administração do dia a dia de um país e procuro ser construtivo. Não odeio os meus amigos de esquerda, não rompi com ninguém.”
Aos 85 anos, Boris voltou nesta segunda-feira (1º) ao Grupo Silvio Santos como comentarista político do SBT News. O “Jornal do Boris”, que ele já apresentava no YouTube desde 2020, passa a ser exibido simultaneamente no canal de notícias, de segunda a sexta, às 8h.
O retorno ocorre no ano em que o jornalista celebra 70 anos de carreira. Ele começou aos 15 anos na rádio Piratininga, em São Paulo, e depois passou por assessorias de lideranças políticas, pela chefia de redação da Folha e por emissoras como SBT, Record, Band, RedeTV! e CNN.