VÍDEO – “Cadê a soberania?”: Lula critica presidente que pede voto em outro país

Atualizado em 18 de abril de 2026 às 9:46
Lula durante entrevista coletiva na Espanha. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Lula (PT) fez um forte discurso em defesa da soberania dos países, contra o enfraquecimento do multilateralismo e o papel corrosivo das plataformas digitais sobre a vida democrática no Fórum em Defesa da Democracia, realizado na Espanha neste sábado (18). Ao falar a líderes progressistas, o presidente afirmou que a democracia dentro de cada nação deve ser decidida por seu próprio povo, sem tutela externa, e criticou o avanço de decisões unilaterais de grandes potências, que, segundo ele, atropelam a ONU, desrespeitam a soberania eleitoral e territorial de outros países e agravam a instabilidade global.

Um dos trechos mais duros do discurso veio quando Lula afirmou que “nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países”. Na mesma linha, reforçou: “Não pode um presidente da República de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro? Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial”.

A fala foi usada pelo presidente para defender que o centro da discussão internacional precisa voltar a ser o respeito à Carta da ONU e ao direito de cada povo definir seus próprios rumos políticos.

Lula também afirmou que a democracia nacional é uma construção interna e não uma fórmula imposta de fora. “A democracia em cada país nosso, ela é da nossa responsabilidade, da responsabilidade cultural do nosso povo. Nós vamos nos virar e o povo de cada país vai encontrar o seu jeito de fazer democracia”, disse.

Ao mesmo tempo, separou esse plano interno da crise global do multilateralismo, que, em sua avaliação, exige reação coordenada entre chefes de Estado para frear o que chamou de destruição das instâncias internacionais.

No discurso, o presidente criticou diretamente o funcionamento atual da ONU e, em especial, do Conselho de Segurança. Disse que os membros permanentes “viraram os senhores da guerra” e acusou as grandes potências de tomarem decisões sem consultar o organismo internacional.

Ao citar Iraque, Líbia, Ucrânia, Irã, Gaza e Venezuela, Lula afirmou que prevalecem ações unilaterais que não respeitam os fóruns em que esses mesmos países participam. Para ele, o problema central hoje não é apenas a democracia dentro de cada país, mas a ausência de democracia nas relações internacionais.

Outro eixo forte da fala foi o impacto das redes e das plataformas digitais sobre a democracia. Lula disse que, sem ação do Estado, “a gente não controla as chamadas plataformas digitais, que de rede social não têm nada”.

Em seguida, endureceu ainda mais o tom: “Pouco social e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo e muita jogatina e muito pouco de social”. Para o presidente, a regulação dessas empresas precisa deixar de ser tratada como assunto isolado de cada país e passar a ser enfrentada como tema global.

Foi nesse ponto que ele conectou soberania e ambiente digital. “Controlar as plataformas digitais e por regras democráticas é uma questão mundial, não é uma questão de um país ou de outro”, afirmou.

Lula também resumiu o efeito político dessa distorção ao dizer que “a verdade nua e crua é que a mentira, a mentira ganhou da verdade”. Na avaliação do presidente, a combinação entre desinformação, falta de regulação e poder opaco das plataformas ameaça a capacidade dos povos de controlar o próprio voto e fazer sua democracia valer na prática.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.