
Um cachorro comunitário foi baleado por um policial militar na noite de ontem em Campo Bom, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O animal, conhecido como Negão, foi resgatado por uma ONG e encaminhado a uma clínica veterinária, onde permanece sob cuidados. O caso ocorreu durante uma abordagem da Brigada Militar a pessoas em situação de rua no bairro Barrinha.
Imagens de uma câmera de vigilância registraram a ação. O vídeo, divulgado nas redes sociais pela ONG Campo Bom Pra Cachorro, mostra o momento em que o agente dá um passo para trás, pisa na pata do cão e, na sequência, efetua o disparo. O policial não teve o nome divulgado pelas autoridades.
Após o tiro, é possível ouvir os gritos do animal. Além de Negão, outros cães estavam próximos da guarnição no momento da abordagem, mas moradores afirmam que nenhum deles atacou os agentes. O vídeo passou a circular amplamente e gerou indignação nas redes sociais.
Segundo relatos de moradores, a Polícia Militar não prestou atendimento ao cachorro ferido. Os policiais conduziram três pessoas à delegacia e deixaram o local. Depois da saída da guarnição, moradores acionaram a vereadora Kayanne Braga (PDT), conhecida pela atuação na defesa dos direitos dos animais, que ajudou no resgate do cão.
Negão foi levado a uma clínica veterinária da região, onde recebe atendimento. A ONG responsável pelo resgate informou que o animal é conhecido na comunidade e era alimentado e cuidado por moradores do bairro.
O despreparo e o desequilíbrio da BM são assustadores. As imagens de um policial atirando em um cachorro comunitário em Campo Bom escancaram a falta de treinamento e de suporte. Se não sabem lidar com pessoas, quem dirá com animais. pic.twitter.com/dmelaCRlaO
— Natasha Ferreira (@eunatashapoa) January 28, 2026
Em nota enviada ao G1, o 32º Batalhão da Brigada Militar informou que “o fato se deu durante uma abordagem a três indivíduos que estão sendo apresentados na Delegacia de Polícia para registro”. O comandante da unidade, tenente-coronel Pedro Beron, afirmou que será instaurado procedimento investigatório no âmbito da Polícia Judiciária Militar.
O caso ocorre em meio à repercussão de outros episódios recentes de violência contra animais. Em Florianópolis, o cachorro Orelha foi encontrado agonizando após receber pauladas na cabeça na Praia Brava. O animal vivia há cerca de dez anos na região e era cuidado por moradores.
Orelha foi levado a um hospital veterinário, mas precisou passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. A Polícia Civil de Santa Catarina abriu investigação após o registro de boletim de ocorrência. A Associação Praia Brava afirmou aguardar o “correto esclarecimento dos fatos”.
Investigados pela morte de Orelha também são suspeitos de tentar matar outro cachorro da região, conhecido como Caramelo. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, adolescentes teriam tentado afogar o animal, que conseguiu escapar. O delegado confirmou que adotou Caramelo e declarou nas redes sociais que “quis o destino” que ele e a esposa acolhessem o cão, que está saudável.