
O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira (14) que a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro deve ser tratada pela polícia. A declaração foi dada durante visita à fábrica de fertilizantes da Petrobras em Camaçari, na Bahia, após questionamentos sobre mensagens e áudios envolvendo negociações para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
“Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, afirmou Lula. O presidente também disse: “Vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunta como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, tratar da Petrobras e tratar do emprego”.
Segundo reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para a produção do filme entre fevereiro e maio de 2025. As mensagens e o áudio divulgados mostram Flávio Bolsonaro cobrando pagamentos do banqueiro para o longa.
Mais tarde, o senador publicou vídeo confirmando que pediu recursos a Vorcaro, mas negando irregularidades. Ele declarou que o dinheiro era “privado” e afirmou não possuir “relações espúrias” com o empresário.
🚨LAPADA! Presidente Lula DETONA Flávio Rachadinha e diz que o caso dele é de POLÍCIA!
DA-LHE, LULA! 🤣👍 pic.twitter.com/Zn2EWNJTju
— Pedro Rousseff (@pedrorousseff) May 14, 2026
Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília sob acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras investigado pela Polícia Federal, com valores estimados em até R$ 12 bilhões.
Segundo o Intercept Brasil, os recursos teriam sido enviados para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O caso ampliou a repercussão em torno do filme “Dark Horse”, que já vinha sendo alvo de debates após a divulgação das conversas envolvendo o senador e o banqueiro.
Flávio foi questionado por jornalistas na saída do Supremo Tribunal Federal (STF), mas limitou-se a dizer que o assunto envolvia “dinheiro privado”. Posteriormente, publicou vídeo nas redes sociais alegando que não existe ilegalidade nas tratativas relacionadas ao financiamento do projeto audiovisual.
O senador também afirmou que Vorcaro “simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato”. “Sim, tinha um contrato que, ao não pagar essas parcelas, tinha uma grande chance de o filme sequer ser veiculado, sequer ser concluído”, declarou ele ao comentar as negociações.
As revelações sobre o financiamento do filme ocorreram um dia após o avanço de novas fases da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e uso de informações sigilosas para beneficiar o grupo ligado ao Banco Master.