VÍDEO – Presidentes de clubes dão show de indiferença ao defender bets no STF

Atualizado em 3 de novembro de 2026 às 16:04
Matheus Reis Montenegro, representante do Fluminense, em audiência pública no STF nesta terça (3). Foto: Reprodução

Representantes do Fluminense, Flamengo, Botafogo e Corinthians deram um show de insensibilidade e defenderam a volta das bets nesta terça (3), em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF). Os clubes associaram a restrição a perdas financeiras e impactos sobre postos de trabalho.

Apenas em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets (diferença entre o dinheiro apostado e o devolvido em prêmios). Um estudo da USP (Universidade de São Paulo) também apontou que as apostas retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia no país no mesmo ano.

Especialistas também apontam que o valor gasto nas plataformas deixa de circular em setores como alimentação, vestuário e contas básicas, com prejuízo estimado entre R$ 31 bilhões a R$ 55 bilhões.

Mesmo assim, os representantes dos clubes preferiram atuar como porta-vozes do mercado predatório e expuseram falhas na gestão dos clubes, reféns do dinheiro do mercado de bets.

Matheus Reis Montenegro, representante do Fluminense, afirmou que “o drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol”.

Pelo Flamengo, o vice-presidente geral e jurídico, Flávio Willeman, declarou que o clube tem mais de 1.200 empregados e pode sofrer com a queda de cerca de R$ 430 milhões em receitas anuais do futebol e dos esportes olímpicos.

Willeman citou a possibilidade de comprometimento desses empregos diante da redução dos recursos. A manifestação do dirigente colocou os contratos com casas de apostas entre as fontes relevantes de financiamento das atividades do clube.

Fluminense cita disputa por novos patrocinadores

O Fluminense também argumentou que uma mudança rápida no mercado dificultaria a procura por parceiros comerciais. A preocupação apresentada pelo clube envolve a substituição dos patrocínios em um cenário de retirada simultânea das empresas de apostas.

“14 clubes ao mesmo tempo no mercado buscando novos patrocinadores vai desvalorizar absurdamente o ativo das marcas desses clubes”, declarou o representante tricolor durante a audiência.

O Botafogo enviou o advogado Udo Secklemann, que cobrou “um exemplo sequer de país que tenha proibido as apostas online de forma integral, como o Brasil está fazendo, e tenha, a partir disso, reduzido os índices de ludopatia, de endividamento e de mercado ilegal”.

Pedro Soares, diretor jurídico do Corinthians, citou o futebol feminino, alegou que os jogadores são “trabalhadores”, pediu um período de transição e citou “perdas financeiras” dos times brasileiros.

“Essa verba orçamentária, independente da empresa, vai fazer falta de uma forma que coloca em risco todas as categorias do clube. Foram feitos diversos acordos, inclusive com a União, de pagamentos que agora ficaram comprometidos pela falta de orçamento”, afirmou.

As bets foram proibidas no país em 25 de setembro, por medida provisória (MP) assinada pelo presidente Lula. As casas foram obrigadas a paralisar as atividades no dia 6 do mês seguinte, devolvendo o dinheiro de usuários até o dia 5.

A medida determina o fim da exploração, oferta e publicidade de apostas de quota fixa no país, o que abrange apostas em eventos esportivos, cassinos e jogos online, como o “Tigrinho”. O banimento das plataformas ocorreu após uma explosão de casos de ludopatia e o endividamento desenfreado de famílias, incluindo uso de verbas de programas de transferência de renda, como Bolsa Família.

Diario do Centro do Mundo
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