
Cubanos marcharam com tochas pelas ruas de Havana na noite desta terça-feira (27) em protesto contra ameaças dos Estados Unidos à ilha. A mobilização reuniu milhares de pessoas, em sua maioria jovens, durante a tradicional “Marcha das tochas”, que neste ano assumiu caráter anti-imperialista em meio ao aumento das tensões entre Washington e Havana.
A manifestação ocorre após a operação militar dos EUA que resultou, no início de janeiro, no sequestro do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, principal aliado político de Cuba na região. Desde então, o presidente norte-americano Donald Trump intensificou críticas públicas ao governo cubano e chegou a instar a ilha a “chegar a um acordo”, sem detalhar os termos, “antes que seja tarde demais”.
Durante o ato, lideranças estudantis reforçaram o tom político da mobilização. “Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação”, afirmou Litza Elena González Desdín, presidente da Federação de Estudantes Universitários, diante da multidão reunida aos pés da escadaria da Universidade de Havana. “Em tempos de ameaça, a firmeza ideológica e a defesa da pátria são essenciais.”
Presença de Díaz-Canel
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel liderou a marcha ao longo de um percurso de cerca de um quilômetro por diversas ruas da capital. Entre os participantes, jovens destacaram o simbolismo do ato.
🇨🇺🔥 El Presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez encabeza la histórica Marcha de las Antorchas, que reúne en la escalinata de la Universidad de La Habana a miles de jóvenes cubanos, en homenaje al Apóstol José Martí y al Comandante en Jefe, Fidel Castro Ruz.
📹 Vía @PresidenciaCuba pic.twitter.com/J1iWQ2KQhO
— Cubadebate (@cubadebatecu) January 28, 2026
“Nós somos a continuidade da revolução”, disse Lorena González, atleta de 18 anos. “Devemos seguir em frente e representar o país”, afirmou, enquanto marchava ao lado de outros estudantes com tochas improvisadas.
A mobilização é tradicionalmente realizada em 27 de janeiro, véspera do aniversário do herói nacional cubano José Martí (1853–1895), e remete ao desfile organizado na mesma data, em 1953, pelo então estudante e futuro líder Fidel Castro (1926–2016), em desafio ao governo de Fulgencio Batista.
Apesar da grave crise estrutural enfrentada pelo país, manifestantes ressaltaram a disposição de resistência. “Podemos ter milhares de problemas”, afirmou Migdelio Rosabal, operário de 58 anos, “mas os cubanos não têm medo, embora queiramos a paz”.
