Vídeo de Nikolas com mais de 100 milhões de visualizações perde áudio por direitos autorais

Atualizado em 20 de outubro de 2026 às 23:49
Nikolas Ferreira
O deputado federal, Nikolas Ferreira (PL-MG). Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Um vídeo eleitoral publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram, com mais de 100 milhões de visualizações, teve o áudio removido após uma solicitação por direitos autorais. A Meta confirmou a medida à Folha de S.Paulo nesta terça-feira (20), mas não informou quem apresentou o pedido. O parlamentar atribuiu a iniciativa ao cantor Rubel, apoiador declarado do presidente Lula (PT).

A gravação reúne relatos de moradores do Nordeste sobre dificuldades de acesso a serviços básicos e foi divulgada por Nikolas, cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), com a legenda “O Nordeste esquecido”. A trilha utilizava uma versão instrumental de “Grão de Areia”, música gravada por Rubel com Xande de Pilares. Segundo o deputado, a publicação já havia ultrapassado 110 milhões de visualizações até a noite de terça-feira, mesmo sem som.

Depois da retirada, Nikolas acusou Rubel de tentar silenciar os participantes do vídeo. “Esse esquerdista não quer me calar, quer calar o nordestino”, afirmou. Em outra publicação, pediu que o cantor solicitasse à produtora a liberação do áudio. A Folha procurou Rubel e a assessoria de Xande de Pilares, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.

O alcance do deputado também aparece em um levantamento recente do Sleeping Giants Brasil. A análise examinou os dez vídeos mais recentes de 30 perfis de grande expressão no Instagram e apontou indícios de favorecimento de Nikolas na distribuição de reels. No recorte, o parlamentar, que tinha 23,3 milhões de seguidores, registrou média de 41,05 milhões de visualizações por vídeo.

A média superou a de Selena Gomez, com 402 milhões de seguidores e 31,38 milhões de visualizações por vídeo, e a de Kylie Jenner, com 22,36 milhões. Entre parlamentares incluídos na comparação, Érika Hilton (Psol-SP) apresentou média de 6,34 milhões, enquanto Marco Feliciano (PL-SP) ficou em 80 mil. Os números se referem à amostra de publicações analisada, sem demonstrar, isoladamente, a causa das diferenças de alcance.

Segundo o Sleeping Giants, a conta principal de Nikolas não faz impulsionamento pago de publicações desde 2022. A conclusão tem esse perfil e esse período como recorte; não corresponde a uma afirmação de que o deputado nunca pagou por divulgação. A Meta não comentou o levantamento citado pela Folha.

A atuação digital do parlamentar também é discutida no Tribunal Superior Eleitoral. Na segunda-feira (19), uma decisão proibiu Nikolas e Pablo Marçal de republicarem conteúdos cuja retirada já havia sido determinada pela Corte e vedou tratamento privilegiado às contas na distribuição de propaganda eleitoral. A remoção da trilha do vídeo sobre o Nordeste, porém, foi atribuída pela Meta à solicitação por direitos autorais, sem indicação de relação com essa ordem judicial.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!