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É bom ver Julian Assange livre para respirar, como ele disse, o “ar fresco” de Londres.

É um regime de liberdade condicional. Assange usará um dispositivo eletrônico que permite às autoridades londrinas saber onde ele está, e se comunicará com a polícia todos os dias.

Mas é um avanço sensível em relação à cadeia de Wandsworth.

Sua conturbada saga pessoal desperta múltiplas questões. Uma delas — lateral — é o absurdo da legislação sueca sobre ofensas sexuais. Assange acabou acusado de estupro sem ter cometido estupro. As suecas Anna Ardin e Sofia Wilen copularam com ele porque quiseram, como elas próprias admitem.

Depois o acusaram de crimes sexuais não porque ele os tenha cometido, mas pela selvageria bizarra da legislação sueca. São estranhos os suecos quando se trata de proteger as mulheres na lei. Abusam na definição de estupro. Mas falham miseravelmente em outros pontos: a viúva de Stieg Larsson ficou fora do espólio milionário do autor da Trilogia Millennium porque não eram casados legalmente, embora tivesse vivido juntos mais de vinte anos.

Imagino que o caso de Assange vá levar os suecos a rediscutir o que é estupro.

A Suécia é esquisita. O mundo é esquisito. Mas as coisas ficam menos caóticas e injustas quando um cara como Assange pode respirar o ar fresco — e frio — de Londres.