
O repórter Nilson Klava, da TV Globo, relatou ter sido confundido com agentes do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, durante a cobertura da crise envolvendo a atuação da corporação em Minneapolis. O episódio foi narrado pelo jornalista durante uma reportagem exibida no Jornal Nacional e ilustra o nível de tensão vivido na cidade desde o envio de milhares de agentes federais pelo governo Donald Trump.
Segundo Klava, ele e o repórter cinematográfico Alex Carvalho estavam dentro do carro da equipe quando foram abordados por moradores que faziam uma espécie de patrulha comunitária.
“Eu e o repórter cinematográfico Alex Carvalho estávamos aqui dentro do carro nos aquecendo um pouco quando fomos abordados por dois americanos que estavam com apitos pendurados no pescoço. Eles nos perguntaram se nós éramos agentes disfarçados da polícia de imigração UAS. Disseram que o carro grande parado por um tempo com placa de outro estado chamou a atenção e que o papel deles aqui na comunidade é o de fazer a patrulha do bairro. Quando encontram um agente do UAS, eles usam o apito para alertar os vizinhos”, contou.
Durante a gravação do relato, a equipe voltou a ser interpelada. “Enquanto nós gravávamos esse relato, fomos abordados mais uma vez. ‘Posso perguntar quem vocês são?’. Explico que somos jornalistas do Brasil. Ela pede a minha credencial. Ela pede desculpas e diz: ‘boa sorte, muito obrigado por estarem aqui'”, relatou Klava.
MEU DEUS! A equipe de reportagem da Globo foi confundida com agentes do ICE por moradores de Minneapolis.pic.twitter.com/pHo1p6zeVw
— POPTime (@poptime) January 28, 2026
O jornalista usou a situação para explicar o clima de medo e desconfiança instaurado em Minneapolis após uma série de ações do ICE. Nos últimos meses, a corporação esteve envolvida em episódios que agravaram a revolta da população, como a morte de dois cidadãos estadunidenses durante operações federais, além de denúncias de abusos contra imigrantes.
Entre os casos citados está o uso de um menino equatoriano, de cinco anos, como “isca” para tentar capturar outros estrangeiros em situação migratória irregular. Posteriormente, agentes do ICE também foram acusados de tentar invadir o consulado do Equador na cidade, o que gerou reação diplomática do governo equatoriano.
“Esse é o nível de tensão em Mineápolis desde que o governo federal enviou milhares de agentes de imigração para cá. A indignação ficou ainda maior depois da morte do cidadão americano Alex Pratt no último sábado”, explicou o repórter durante a reportagem.
Em resposta à escalada da violência e às denúncias, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, se recusou a ampliar a cooperação do município com o ICE e reafirmou a política de cidade-santuário, que limita a atuação de agentes federais de imigração no âmbito local.
A postura provocou reação direta do presidente Donald Trump. Segundo a Casa Branca, o governo federal havia condicionado a retirada gradual de agentes do ICE à revogação dessas políticas. Trump afirmou que Frey estaria “brincando com o fogo” ao se recusar a aplicar as leis federais de imigração.
Após reunião com o chamado “czar da fronteira”, Tom Homan, o prefeito manteve sua posição. “Deixei claro também que Minneapolis não aplica e não aplicará as leis federais de imigração, e que continuaremos focados em manter nossos vizinhos e nossas ruas seguros”, declarou.
Frey disse ainda que alguns agentes federais começariam a deixar a cidade, enquanto ele seguiria pressionando pela retirada total do ICE. Trump reagiu nas redes sociais e afirmou ter sido surpreendido pela declaração. No Truth Social, escreveu que a posição do prefeito ocorreu “para surpresa de todos”, mesmo após “uma conversa muito produtiva”.
O presidente questionou se alguém próximo ao prefeito poderia explicar que a declaração representa “uma violação gravíssima da lei” e concluiu: “Será que alguém de seu círculo íntimo poderia explicar que essa declaração é uma violação gravíssima da lei e que ele está apenas brincando?”.