VÍDEO: Erika Hilton critica “cafetões da fé” ao comentar caso Master e igreja de Valadão

Atualizado em 31 de março de 2026 às 9:39
Erika Hilton em entrevista ao “Roda Viva”. Foto: reprodução

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) fez duras críticas a lideranças religiosas ao comentar o envolvimento de igrejas em esquemas financeiros sob investigação. Durante entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite de segunda-feira (30), a parlamentar atacou o uso da fé como instrumento de poder, enriquecimento e influência política. Sem citar nomes diretamente em um primeiro momento, ela mencionou o caso de uma igreja associada a uma fintech ligada ao escândalo do Banco Master e usou uma expressão contundente para definir certos dirigentes religiosos.

“Uma maneira de quebrar esse bloqueio é fazer com que essa parcela da sociedade desperte das mãos desses cafetões da fé. Porque a diferença entre um pastor e um cafetão da fé é aquele que quer lucrar em cima da esperança, do medo e da religiosidade das pessoas”, afirmou. Em seguida, Erika Hilton ampliou a crítica ao dizer que há lideranças religiosas interessadas em acumular patrimônio às custas da fé alheia. “São pessoas que querem continuar a enriquecer a própria família, a criar patrimônios em cima da fé”, declarou.

Ao aprofundar o tema, a deputada citou diretamente o caso envolvendo a Igreja Batista da Lagoinha e a fintech Clava Forte Bank, criada em 2024 e apresentada como um “banco cristão”.

“Nós vimos, por exemplo, no caso do Banco Master, uma igreja que tinha uma fintech, uma igreja que tem um banco. Isso já traduz muito do que é essa minha interpretação sobre cafetões da fé”. A fala ocorre em meio à repercussão de investigações que ligam a Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão, a apurações no âmbito da CPMI do INSS e a suspeitas relacionadas ao Banco Master.

Segundo o texto, as investigações envolvem a possibilidade de participação da Clava Forte Bank em uma rede de instituições financeiras usadas para lavagem de dinheiro e descontos irregulares em benefícios previdenciários.

O caso ganhou projeção nacional ao envolver o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e personagens próximos à igreja, como o pastor Fabiano Zettel, que possui vínculos familiares com Vorcaro. A unidade da Lagoinha em Belo Horizonte associada a esse núcleo chegou a ser fechada após o avanço do escândalo. A fintech encerrou as atividades no fim de 2025, menos de um ano após sua criação.

Outro ponto sob investigação envolve a Fundação Oásis, ligada à Igreja Lagoinha. Relatórios da Controladoria-Geral da União indicam que recursos públicos destinados à entidade por meio de emendas parlamentares teriam sido aplicados no mercado financeiro, em vez de utilizados diretamente em ações sociais.

Um dos casos citados envolve cerca de R$ 700 mil que permaneceram investidos sem destinação definida por mais de um ano. Também há questionamentos sobre repasses de R$ 3,7 milhões entre 2023 e 2025 para uma unidade que teria atendido apenas cinco idosos.

Além disso, relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações consideradas atípicas envolvendo empresas ligadas ao entorno da igreja, incluindo uma transferência de aproximadamente R$ 3,89 milhões para uma produtora associada a André Valadão. As apurações seguem em curso no Supremo Tribunal Federal, em órgãos de controle e em outras frentes abertas a partir do caso.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.