
O início do ano letivo na rede estadual do Vale do Paraíba e região foi marcado por uma amostra pública de falta de letramento dos militares que implantarão o modelo cívico-militar em parte das escolas. As aulas começaram nesta segunda-feira (2) e, em Caçapava, a Escola Estadual Prof. Luciana Damas Bezerra chamou atenção após a identificação de erros de ortografia durante uma atividade conduzida por monitores militares aposentados.
A situação ocorreu em uma aula de monitoria ligada à chamada ordem unida, conjunto de comandos e movimentos padronizados tradicionalmente utilizados pela Polícia Militar. Durante a explicação, termos básicos apresentados aos alunos apareceram grafados de forma incorreta no quadro.
As palavras “descansar” e “continência” foram escritas, respectivamente, com “ç” no final e sem a letra “n” antes do “c”: “descançar” e “continêcia”.
O episódio foi registrado pela TV Vanguarda, afiliada da TV Globo, que acompanhava o primeiro dia de aula na unidade. As imagens mostram que, após algum tempo, o tenente responsável pela atividade foi chamado à porta da sala, conversou com outra pessoa e, em seguida, retornou para corrigir as palavras diante dos estudantes.
Educa(ssão) de primeira grande(sa) e(sa) (sí)vico militar pic.twitter.com/pBT8nXrrbK
— Welington Arruda (@welmelo) February 3, 2026
A escola integra o grupo de unidades que passaram a adotar o modelo cívico-militar na rede estadual paulista, política implementada pelo governo de São Paulo e que vem gerando críticas de entidades educacionais e sindicais. A proposta prevê a atuação de militares da reserva em funções de monitoria e apoio disciplinar, enquanto o conteúdo pedagógico permanece sob responsabilidade dos professores da rede.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que todo o conteúdo pedagógico é elaborado e aplicado pelos docentes da própria escola. Segundo a pasta, neste início de implementação do programa, os monitores atuam exclusivamente com orientações relacionadas à disciplina, à organização do ambiente escolar e à promoção de valores cívicos.
A secretaria também afirmou que todos os monitores do Programa Escola Cívico-Militar passarão por avaliações semestrais de desempenho, que irão verificar a adaptação e a permanência em cada unidade.
Já a Apeoesp divulgou nota repudiando a implantação das escolas cívico-militares no estado. A entidade classificou o modelo como “inconstitucional e autoritário” e criticou a destinação de recursos da Educação para a contratação de militares aposentados.
O sindicato também afirmou que a adoção do programa ocorreu sem consulta prévia à comunidade escolar, o que, segundo a Apeoesp, fere princípios democráticos da gestão educacional.