VÍDEO: “Esquerda está contaminada por arrogância intelectual”, diz Janones

Atualizado em 13 de maio de 2026 às 11:13
André Janones em entrevista ao Metrópoles. Foto: reprodução

O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou na última terça-feira (12) que a esquerda brasileira está contaminada por “arrogância intelectual” e “elitismo”, o que, segundo ele, dificulta a comunicação com a população.

“A que que eu atribuo isso? Basicamente, a dois fatores: arrogância intelectual e elitismo, que tomaram conta da esquerda no nosso país como um todo. Então, a esquerda, em algum momento da história, a esquerda passa a ter vergonha de ser esquerda no sentido original”, avaliou em entrevista ao Metrópoles, ao comentar onde avalia que o campo progressista tem falhado na construção de mensagens políticas.

Para Janones, o problema não está apenas na comunicação institucional da Presidência, mas na dificuldade da esquerda em disputar narrativas com o bolsonarismo. O deputado afirmou que a extrema direita atua de forma coordenada para repetir mensagens até que elas ganhem força nas redes sociais e no debate público.

“É como uma pirâmide. O lado de cima dá a ordem, e os outros vão replicando e aquela mensagem vai viralizando e tomando conta de forma orgânica de todos os meios de comunicação pela repetição. A esquerda não faz isso. São mensagens desencontradas”, explicou.

O parlamentar também afirmou que a esquerda se afastou de suas prioridades originais, entre elas o diálogo direto com o povo e a compreensão das demandas dos trabalhadores. Na avaliação dele, a dinâmica do meio político prejudicou essa capacidade de comunicação com a base social.

Durante a entrevista, Janones também comentou o novo pacote de Segurança Pública lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira. O deputado disse que o governo precisa de mais efetividade não apenas nessa área, mas em todas as frentes.

“Na minha opinião, não adianta a gente lançar nenhum pacote anticrime, não adianta a gente ter nenhuma medida drástica de combate à corrupção se a gente continuar entregando a pauta à narrativa no colo da extrema direita de mão beijada”, criticou.

Para o deputado, medidas concretas podem perder impacto político quando o governo e seus aliados não conseguem explicar suas ações de forma simples e direta. Ele defendeu que a disputa pela opinião pública exige uma linguagem mais próxima da população e menos restrita aos círculos políticos.

Janones também falou sobre a nova legislação que reduz penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro. Segundo ele, a aprovação da proposta deve ser atribuída à esquerda, e não à extrema direita, por causa da forma como o tema foi tratado no debate público.

Para o parlamentar, o campo progressista errou ao aceitar o nome “Dosimetria” para se referir ao projeto. Na avaliação dele, a expressão suavizou o impacto da proposta e ajudou seus defensores a apresentá-la de maneira mais técnica e menos impopular.

“A esquerda foi responsável pela aprovação do PL da Dosimetria quando ela aceita chamar de PL da Dosimeria em vez de chamar de PL Fernandinho Beira-Mar, PL do Marcola”, alegou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.