
O ataque anunciado neste sábado (3) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve como um de seus principais alvos simbólicos o Quartel da Montanha, mausoléu onde estão os restos mortais do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez. Localizado na favela 23 de Janeiro, em Caracas, o complexo militar e memorial é considerado um dos espaços mais sagrados do chavismo e um símbolo central do projeto político que governa a Venezuela desde 1999.
Segundo informações do jornal El País e de fontes ouvidas na capital venezuelana, o Quartel da Montanha foi atingido durante a ofensiva realizada por forças estadunidenses na madrugada deste sábado.
Imagens que circularam nas redes sociais, ainda não verificadas de forma independente, mostram incêndios e colunas de fumaça na área do mausoléu, protegido tradicionalmente pela Guarda de Honra Presidencial.
O Quartel da Montanha tem forte carga histórica. Construído em 1906 como Museu Histórico Militar, o local ganhou relevância nacional em 1992, quando Chávez, então tenente-coronel, liderou dali uma tentativa fracassada de golpe de Estado. Anos depois, já como presidente, Chávez transformou o espaço em um marco do chavismo.
Após sua morte, em 2013, o local passou a abrigar seus restos mortais e se tornou ponto de peregrinação política e simbólica para apoiadores do regime.
Los restos de Hugo Chávez, que reposan en el Cuartel de la Montaña en Caracas Venezuela, acaban de ser bombardeados.
Toda la basura socialista debe desaparecer.
Que caiga el tirano de Nicolás Maduro.
Si cae Maduro cae Petro. pic.twitter.com/5B4fZ9raIw
— S. Vanessa C. (@SaVanessCa) January 3, 2026
O ataque ao mausoléu ocorreu no contexto de uma ofensiva mais ampla confirmada por Trump, que afirmou em uma publicação na rede Truth Social que os Estados Unidos realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Segundo o mandatário, Maduro e a esposa teriam sido retirados do país por via aérea.
Trump disse ainda que apresentará mais detalhes sobre a operação em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.
Durante a madrugada, moradores de Caracas relataram ao menos sete explosões em diferentes pontos da cidade. Fontes locais afirmaram que “foram ouvidas explosões na base militar de La Carlota e no Forte Tiuna”, o maior complexo militar do país, frequentemente comparado ao Pentágono venezuelano. Há rumores de que Maduro estaria residindo no Forte Tiuna antes do ataque.
La Carlota, principal base da Força Aérea venezuelana na capital, também teria sido atingida, assim como instalações militares no estado de La Guaira, próximo ao aeroporto internacional de Maiquetía. Há ainda relatos de que o Palácio de Miraflores, sede do governo, foi alvo da ofensiva, embora as imagens divulgadas não permitam confirmar com precisão a localização das explosões.
Além de Caracas, ataques foram registrados nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Em comunicado oficial, o governo venezuelano classificou a ação como uma “violação flagrante da Carta das Nações Unidas”, citando desrespeito à soberania nacional e ao princípio da igualdade entre Estados. O regime pediu que a comunidade internacional se manifeste diante do que considera uma ameaça à paz e à estabilidade global.
A rede CNN informou que diversas áreas da capital venezuelana ficaram sem energia elétrica após as explosões. A correspondente Osmary Hernandez relatou: “Uma delas foi tão forte que minha janela tremeu depois”. A ofensiva ocorre após semanas de escalada de tensão, marcadas pelo envio de navios de guerra dos Estados Unidos ao Caribe e por declarações de Trump afirmando que os dias de Maduro no poder estavam contados.
Na última segunda-feira, o presidente estadunidense já havia anunciado a destruição de uma área de atracação usada por embarcações acusadas de tráfico de drogas na Venezuela, episódio tratado como o primeiro ataque terrestre dos Estados Unidos em solo venezuelano.