O ex-deputado federal Julian Lemos fez declarações sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro durante entrevista ao programa Correio Debate, da Rádio 98 FM Correio, nesta terça-feira (24). Na ocasião, afirmou que Bolsonaro teria responsabilidade na morte de Gustavo Bebianno e disse que sua fama de “traidor” do clã foi disseminada pelo hoje pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Segundo Lemos, Jair “abandonou (Bebianno). Ele matou Bebianno sabe de que? De angústia e traição”.
Durante a entrevista, Lemos também confirmou a possibilidade de se filiar ao PSB para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas próximas eleições. Ele declarou que deixou o grupo político ligado a Bolsonaro após discordâncias e afirmou que não aceitou manter vínculo político nas condições apresentadas.
Aliado de primeira hora e braço-direito do então candidato em 2018, Lemos relatou episódios do período em que esteve próximo de Bolsonaro, mencionando sua atuação em articulações políticas e na segurança durante agendas da campanha.
“Eu encontrei Bolsonaro, ele não pontuava um por cento nas pesquisas”, disse Lemos. “Quando ele veio pra cá, os dois deputados do partido dele sequer receberam ele na Assembleia Legislativa. Eu, através da minha articulação junto com o presidente da Câmara de Vereadores, consegui colocar Bolsonaro (na Câmara). Coloquei quarenta seguranças lá dentro do meu bolso. Depois dali em diante, eu passei três anos andando com Bolsonaro”.
Na sequência, o ex-parlamentar afirmou que esperava apoio político após o período de atuação conjunta: “Quem era pra ter me apoiado era Lula? Agora, não queiram que por eu ter apoiado Bolsonaro, eu teria que ter feito um pacto com ele pra o resto da vida. Bolsonaro é um traidor. Ele é um traidor. E eu não admito ninguém colocar a minha honra em xeque por causa de um traidor que me abandonou”, declarou, acrescentando que não será mais um ‘vassalo’ do ex-presidente.
“Você sabe o que eu passei, rapaz? Eu arrisquei minha vida. Eu peguei meu carro e rodei 1.200 quilômetros. Teus ativos financeiros gastos do bolso foram pagos depois? Não, eu não recebi nada de Bolsonaro, nem gratidão”, afirmou, dizendo que sua fama de traidor foi algo plantado por Flávio Bolsonaro.