VÍDEO: Extrema-direita tumultua estreia de Erika Hilton na Comissão da Mulher

Atualizado em 18 de março de 2026 às 20:39
Erika Hilton durante a primeira sessão na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Foto: Felipe Pereira/UOL

A primeira sessão comandada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, nesta quarta-feira (18), foi marcada por provocações da oposição, bate-boca, suspensão dos trabalhos e nenhuma proposta votada. A tensão começou nos primeiros minutos da reunião, quando parlamentares bolsonaristas passaram a questionar publicações feitas por Erika nas redes sociais. Com informações do UOL.

A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) abriu a ofensiva com uma questão de ordem e afirmou que Erika teria chamado mulheres de “cadelas”. A presidente da comissão respondeu que não atacou mulheres de forma geral e que a postagem era dirigida a pessoas específicas que a ameaçam e divulgam imagens falsas produzidas com inteligência artificial. Em manifestação anterior sobre a reação que recebeu após assumir o comando do colegiado, Erika escreveu: “Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher”.

O embate na comissão ocorreu dias depois da repercussão das declarações do apresentador Ratinho sobre a eleição de Erika para a presidência do colegiado. No programa exibido em 11 de março, ele afirmou: “Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton. Ela não é mulher, ela é trans”. Em outra fala, acrescentou: “Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres… mulher mesmo”. As declarações levaram Erika a acionar o apresentador na Justiça e a pedir providências também na esfera administrativa.

Durante a sessão desta quarta, houve pedido de moção de repúdio contra Erika e aplausos a Ratinho por parte da extrema-direita. A extrema-direita também acusou a parlamentar de condução ideológica dos trabalhos e de limitar a pauta a temas de seu interesse.

Em meio à confusão, uma visitante passou a xingar os deputados e teve de deixar o local. Sem acordo sobre o que seria votado, a sessão foi interrompida por cerca de 20 minutos e terminou sem deliberações.

A Comissão da Mulher tem maioria alinhada à extrema-direita entre seus 21 integrantes, cenário que já vinha sendo apontado como foco de novos confrontos após a eleição de Erika para a presidência. Depois da repercussão das falas de Ratinho, o Ministério das Comunicações informou que analisa a denúncia apresentada pela deputada, enquanto o Ministério Público Federal também atuou no caso.

Francine Eustaquio
21 anos. Trabalha no DCM desde 2025. Interessada em política, cultura e temas sociais, dedica-se à produção de conteúdo informativo e otimizado para o público digital. Aprecia leitura, cinema e música, além de explorar novos destinos e experiências gastronômicas nas horas vagas.