
O senador Flávio Bolsonaro foi abordado pela liderança indígena Narubia Werreira na quarta-feira (8), no Congresso Nacional, em Brasília. O caso ocorreu quando o parlamentar deixava a Câmara dos Deputados, após uma coletiva, acompanhado de apoiadores.
Durante a abordagem, ela dirigiu críticas ao senador e o chamou de “miliciano”. Em seguida, afirmou: “Você não é desse país, você não ama esse país”. A manifestação ocorreu diante de pessoas que estavam no local no momento da saída do parlamentar.
O parlamentar respondeu às falas dizendo que pretende “libertar os indígenas”. Antes de entrar no carro, fez um gesto de coração com as mãos e enviou um beijo à ativista.
🚨 VEJA l Liderança indígena Narubia Werreira chama Flávio Bolsonaro de “miliciano” enquanto o pré-candidato à Presidência deixava a Câmara.pic.twitter.com/oJ8GuacYoE
— Notícias Paralelas (@NP__Oficial) April 9, 2026
Narubia Werreira é e a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária dos Povos Originários e Tradicionais do estado, no governo Wanderlei Barbosa (Republicanos). Ela também atua como ativista em pautas ligadas aos direitos indígenas.
Em declaração à imprensa, Werreira criticou a posição da família Bolsonaro sobre a demarcação de terras. “A família Bolsonaro é contra a demarcação das Terras Indígenas, mas não hesita em oferecer nossas riquezas para os EUA. Essa terra é nossa! Não desse patriotismo demagógico e colonizador. Queremos construir o nosso próprio sonho brasileiro e não rastejar as migalhas do podre sonho americano”, disse.
Na semana anterior, ela anunciou filiação ao PT e declarou apoio ao presidente Lula, que deve disputar a eleição presidencial. Ao comunicar a decisão, afirmou: “Eu estou aqui por todos os povos, por todas as vozes, por todas as tendências do partido que acreditam na força da democracia e da justiça social”.
A atuação do governo Jair Bolsonaro (PL) é alvo de críticas de lideranças indígenas, especialmente em relação à ausência de demarcação de terras durante o período. A pauta é considerada central por esses grupos para a garantia de direitos territoriais.
O caso ocorre durante a mobilização do Acampamento Terra Livre (ATL), realizada em Brasília. O movimento reúne representantes de diferentes povos indígenas e, neste ano, tem como foco a oposição à exploração de territórios preservados por grandes empresas.