
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou a senadora Tereza Cristina (PP) de “sonho de consumo” na quinta-feira (9), ao comentar publicamente a disputa pela vaga de vice em sua pré-candidatura à Presidência da República. A fala, feita em Campo Grande durante a abertura da 86ª Expogrande, reforça o peso político da ex-ministra da Agricultura dentro das articulações na extrema-direita para 2026 e expõe, mais uma vez, a divisão na direita sobre quem deve ocupar o posto mais cobiçado da chapa bolsonarista.
Questionado sobre a possibilidade de Tereza Cristina ser escolhida como vice, o senador do PL respondeu em tom afetuoso e elogioso. “Tereza é sonho de consumo de todo mundo. Eu até brinquei com ela, eu chamo ela de vozinha, porque ela é muito parecida com a minha vó, é aparentemente uma forma carinhosa de chamar alguém que eu respeito demais”, disse.
Flávio aproveitou a ocasião para reforçar o peso de Tereza Cristina no agro e destacar o legado dela no governo Bolsonaro. “Para mim, [Tereza Cristina] é uma das maiores referências do mundo no agro do Brasil. Nós tivemos o privilégio de tê-la como ministra do governo Bolsonaro e, mais para frente, vamos pensar com calma. Não tem como antecipar nada agora, mas fico muito feliz de poder tê-la entre as possibilidades”, afirmou.
🚨VICE : Flávio Bolsonaro chama Tereza Cristina de “vice dos sonhos” em MS
Em evento no Mato Grosso do Sul, o senador Flávio Bolsonaro elogiou a ex-ministra e senadora Tereza Cristina e a descreveu como a “vice dos sonhos”. Ele afirmou ser fã da parlamentar, mas disse que a… pic.twitter.com/svvQKPdR9b
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) April 10, 2026
A fala ajuda a consolidar a senadora como um dos nomes mais fortes para a composição da chapa, num momento em que o PL tenta ampliar pontes com setores do Centrão e do agronegócio.
Nos bastidores, o nome de Tereza Cristina agrada especialmente ao Centrão e conta com o apoio do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Ao mesmo tempo, a possibilidade de sua indicação vem ampliando divisões no campo da direita.
Parte do núcleo mais próximo de Flávio resiste à escolha e defende uma alternativa mais diretamente alinhada ao bolsonarismo raiz, como o ex-governador Romeu Zema. A disputa reflete estratégias diferentes: de um lado, a tentativa de ampliar alianças partidárias; de outro, o esforço para manter a candidatura sob controle do núcleo ideológico do grupo.
A própria Tereza Cristina, porém, evitou entrar no debate sobre a vice-presidência. Em seu discurso na Expogrande, ela preferiu concentrar a fala na situação do agronegócio sul-mato-grossense e nas dificuldades enfrentadas pelo setor. “Mato Grosso do Sul vai bem, obrigado! Tem gente responsável à frente do seu governo, mas não está fácil para ninguém”.
Em seguida, ampliou o diagnóstico: “Os agricultores estão endividados, porque ninguém aguenta pagar esses juros, que não cabem no bolso da agricultura. Além de tudo, nós temos uma guerra acontecendo, e as pessoas não estão se dando conta do que está passando no mundo”.