
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a CPMI que investiga fraudes no INSS identificou “grandes igrejas” e “grandes pastores” envolvidos no esquema de desvios e que o grupo parlamentar tem sofrido pressão constante para não avançar nas apurações. A declaração foi feita neste domingo (11) em entrevista ao SBT News, quando a parlamentar relatou tentativas de interferência por parte de líderes religiosos e instituições.
Segundo Damares, a CPMI enfrenta resistência justamente por atingir figuras influentes. Ela afirmou: “Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes’”.
A senadora destacou que esse cenário tem gerado lobby para frear os trabalhos da comissão. Para ela, o impacto das investigações surpreende até mesmo os parlamentares: “Essa CPMI do INSS está chegando em lugares que a gente jamais imaginava. Grandes igrejas do Brasil estão sendo apontadas. Isso me machuca muito”.
Damares também avaliou que o trabalho marca uma mudança no Congresso: “Vai fazer entregas”, afirmou, indicando que a CPMI atinge diferentes governos e não se limita a um campo político específico.
BOMBA! Senadora da extrema direita Damares Alves, acaba de dizer no SBT que estão blindando pastores de grandes igrejas na CPMI do INSS. Em nome de Jesus, Deus no comando. pic.twitter.com/R4M4EAcoKq
— Ivan Vieira 🇧🇷 (@ivanvieira_5) January 12, 2026
Próximos passos da CPMI
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou que o “primeiro balanço” do relatório preliminar será apresentado em fevereiro. Embora o encerramento esteja previsto para março, ele defende a prorrogação por mais 60 dias, alegando que o prazo atual não permite analisar todo o material recebido e concluir as oitivas pendentes.
Viana justificou o pedido: “Diante da dimensão nacional e da profundidade desse esquema, afirmo que é absolutamente indispensável a prorrogação da CPMI por mais 60 dias. Somente assim será possível aprofundar as apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e garantir justiça plena às vítimas”.
O que a CPMI já apurou
A comissão realizou 28 reuniões ao longo do ano passado e ouviu 26 testemunhas, incluindo os ex-ministros da Previdência Carlos Lupi e Onyx Lorenzoni — este último responsável pela pasta no governo Bolsonaro, período apontado como início dos desvios.
Viana adiantou que o relatório final deve incluir a análise de 4.800 documentos e a identificação de 108 empresas suspeitas. O senador também antecipou que pedirá ao STF a suspensão imediata de quase 2 milhões de contratos de empréstimo consignado considerados irregulares.