
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o presidente Lula recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto quando ainda não havia “indícios de crime” envolvendo o Banco Master. Segundo ele, à época circulavam apenas rumores sobre problemas na instituição, sem elementos que apontassem fraude.
O petista apontou que havia um “rumor” sobre problemas no Banco Master, mas que parecia apenas “um negócio malfeito, que parecia que não ia dar certo”. Haddad afirmou que as pessoas envolvidas com a instituição financeira eram “muito sedutoras” e lembrou que elas patrocinaram eventos da imprensa
“Patrocinaram uma série de eventos… Até da imprensa. A imprensa entrou nessa também. Vários órgãos de imprensa tiveram eventos patrocinados pelo Banco Master. Será que o dono da organização de comunicação sabia? Não é assim que funciona”, afirmou.
“O rumor existia desde 2024, mas você não tinha indícios de crime de fraude, parecia um negócio mal feito, e aí o cara falava que estavam com ciúmes dele, que vai desafiar o sistema bancário, ‘Itaú que se cuide’. Era isso que se ouvia”, disse Haddad em entrevista ao Metrópoles nesta quinta (29).
O encontro entre Lula e Vorcaro ocorreu em 4 de dezembro de 2024. De acordo com Haddad, na reunião Lula ouviu Vorcaro sobre o problema de liquidez do Master, mas deixou claro que qualquer definição caberia ao Banco Central.
“Aliás, foi o que ele disse na reunião com Vorcaro, segundo todas as testemunhas: olha, a decisão sobre você é do Banco Central, técnica, se bem, bem, se mal, mal”, afirmou o ministro, acrescentando que não sabia previamente do encontro. “Eu nem sabia que ele iria receber, eu não conheço essa pessoa”.
🚨 AGORA: Haddad afirma não conhecer Daniel Vorcaro
💬"O rumor existia desde 2024. Olha, tem problema, tem problema, tem problema. Mas você não tinha indício de crime, você não tinha indício de fraude. Parecia um negócio mal feito. Um negócio insustentável. Um negócio que não… pic.twitter.com/LZDkx5MdTt
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) January 29, 2026
Haddad também declarou que o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assumiu o comando da instituição já diante do que classificou como a “maior fraude bancária” da história do país. Segundo ele, ao chegar ao cargo, Galípolo tinha plena dimensão da gravidade do caso e iniciou os procedimentos necessários para embasar decisões técnicas.
“O problema ganhou muita visibilidade nos órgãos de Estado em 2024. Quando o Gabriel assume a presidência do BC, ele já tem plena consciência do tamanho do abacaxi que herdou do seu antecessor, tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária possivelmente da História do Brasil”, afirmou Haddad.
Segundo o ministro, assim que o governo teve conhecimento das investigações, a orientação interna foi conduzir tudo de forma estritamente técnica. “Desde o começo todo mundo do governo dizia que nós temos que fazer a coisa mais técnica possível, se trata de uma coisa muito séria, e por orientação minha, do Galípolo, e do próprio presidente da República, de levar às últimas consequências o que aconteceu”.
Questionado sobre eventual demora na atuação da gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, Haddad afirmou que as investigações poderão apontar omissões. “Eu acredito que as investigações vão levar a eventuais responsabilizações, de quem quer que seja, pode ser funcionário público, político, empresário”, declarou.
Haddad citou ainda a abertura de procedimento interno no Banco Central para apurar possíveis falhas de servidores, ao comentar questionamentos sobre eventuais ligações de ministros do STF no caso. “O BC hoje anuncia uma abertura de procedimento interno para verificar se houve alguma falha de procedimento em relação ao seu próprio corpo de servidores. É assim que uma instituição deveria agir”.
➡️ ENTREVISTA | Haddad conta o que Lula disse a Vorcaro durante reunião sobre Master
Em entrevista ao Metrópoles, ministro Fernando Haddad revelou o que presidente Lula disse a dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em reunião pic.twitter.com/Wp5mHRfetN
— Metrópoles (@Metropoles) January 29, 2026
O ministro também confirmou um almoço ocorrido em dezembro com Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli para tratar do Master. Segundo Haddad, na ocasião o presidente falou sobre o simbolismo do caso. “Ele falou que nós temos uma oportunidade de dar uma resposta, de fazer o trabalho de combate ao crime, à corrupção, pelo andar de cima. É uma oportunidade que nós temos de dar uma resposta à sociedade”.