VÍDEO: Historiadora xinga Bolsonaro e o acusa de caixa 2. De onde veio isso, haverá mais. Por Kiko Nogueira

Atualizado em 20 de novembro de 2018 às 22:05
Ana Vitória Sampaio encontra Bolsonaro

Jair Bolsonaro foi hostilizado ao chegar ao Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília.

A historiadora Ana Vitória Sampaio, doutoranda na UnB, acusou-o de caixa 2 e de disseminar fake news durante a campanha eleitoral.

“Você nunca vai me representar, seu bosta, seu merda”, gritou ela. “Presidente é o caralho”.

Foi o primeiro protesto contra Bolsonaro desde que ele foi eleito e passou a despachar semanalmente no chamado gabinete de transição.

Não será o único e nem o último.

Ao entrar no carro para sair, ela teve a imagem do rosto e da placa capturada por um integrante da segurança.

Ela contou sua história ao Correio Braziliense.

Em 2013, numa manifestação de movimentos LGBTs, feministas e negros na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Bolsonaro lhe disse que “o erro da ditadura foi não tê-la matado”.

“Bolsonaro se fez presente em cada reunião quando ocupamos aquele tempo e, um belo dia, quando protestávamos, chegou na minha frente e disse que a ditadura militar deveria ter me matado. E o erro da ditadura foi não ter matado a gente”, declarou. 

Na ocasião, a estudante e outros manifestantes protestavam contra a eleição do deputado Marco Feliciano (Podemos-SP), à época filiado ao PSC, para a presidência da CDHM. A estudante ainda acusou Bolsonaro de perseguir amigos.

“Fez uma campanha de perseguição a um amigo meu professor homossexual da secretaria de Educação do Distrito Federal e a uma professora que, hoje, é da UnB. É absurdo o que está acontecendo neste país”, criticou. Para ela, é um erro o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não ter “feito nada” em relação às denúncias de caixa 2 durante a campanha. 

O TSE deu prosseguimento a uma ação do PT para apurar se empresas estariam pagando pelo envio de mensagens em defesa da então candidatura de Bolsonaro.

A prática, segundo avaliação de alguns especialistas, pode ser considerada doação de empresas por meio dos serviços, prática que, por não ser declarada, configura caixa 2. Ou seja, é vedada pela legislação eleitoral. Para Ana Vitória, as eleições foram fraudadas. “Vim aqui lamentar o futuro do meu país. Será um futuro de choro e ranger de dentes.”

A estudante ainda acusou Bolsonaro e aliados de articularem um fundamentalismo cristão. Ana Vitória afirmou que pesquisa o fundamentalismo religioso na política e acredita que há similaridades entre os estudos e a coordenação política do governo de Bolsonaro.

“Esse país vai virar o Irã neopentecostal. É óbvio o que está acontecendo no país. É um grupo totalmente articulado de fundamentalistas cristãos, grandes latifundiários. As empresas armamentistas também estão de olho e isso não é coincidência que esteja acontecendo no mundo todo”, sustentou.

Vou repetir esse vaticínio:

“Vim aqui lamentar o futuro do meu país. Será um futuro de choro e ranger de dentes”.

Batata. Batatíssima.

Mas, se depender de gente valente como Ana Vitória, não será um passeio no parque para essa gangue. Que nos sirva de exemplo.