VÍDEO – “Inescrupulosos”: Alemanha acusa governo Trump de destruir a ordem mundial

Atualizado em 8 de janeiro de 2026 às 19:22
O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier. Foto: Divulgação

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, estão “destruindo a ordem mundial” construída no pós-guerra. A declaração foi feita durante um simpósio realizado na Alemanha, nesta quarta-feira (7), com críticas diretas à política externa adotada por Washington.

Segundo Steinmeier, há uma ruptura de valores por parte do principal aliado europeu. “Hoje, há a quebra de valores por parte do nosso parceiro mais importante, os EUA, que ajudaram a construir essa ordem mundial”, afirmou. Em seguida, disse que o cenário atual exige reação internacional para evitar abusos de poder.

“Trata-se de impedir que o mundo se transforme em um covil de ladrões, onde os mais inescrupulosos tomam tudo o que querem, onde regiões ou países inteiros são tratados como propriedade de algumas poucas grandes potências”, declarou o presidente alemão durante o discurso.

Steinmeier também afirmou que a democracia global está sob ataque e defendeu uma atuação internacional mais ativa em cenários de risco. “A democracia global está sendo atacada como nunca antes”, disse. Nesse contexto, citou o Brasil e a Índia como países relevantes. “Países como Brasil e Índia precisam ser convencidos a proteger a ordem mundial”, afirmou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Alex Wong/AFP

As críticas ocorreram dias após a deposição de Nicolás Maduro por meio de operação militar conduzida pelos Estados Unidos e em meio ao aumento das tensões entre Washington e a Europa. Um dos focos do conflito envolve a Groenlândia, território da Dinamarca que Trump declarou querer incorporar aos EUA.

O presidente alemão também citou a anexação da Crimeia pela Rússia e a invasão em larga escala da Ucrânia como marcos de ruptura do sistema internacional. Para ele, a atuação atual dos Estados Unidos representa “uma segunda ruptura histórica”. As declarações chamaram atenção por temas de política externa normalmente serem tratados pelo chanceler Friedrich Merz, e não pelo chefe de Estado.