VÍDEO: juiz atira em vizinho em prédio de luxo de Copacabana

Publicado na Gazeta Online

O osteopata Pedro Augusto Guerra fica ofegante ao se lembrar de um tiro que, por pouco, não o atingiu na cabeça. E se mostra indignado ao contar que, segundo ele, o disparo foi feito pelo juiz Jorge Jansen Counago Novelle, da 15ª Vara Cível do Rio, dentro de um condomínio de frente para o mar na Avenida Atlântica, em Copacabana. O ataque, ocorrido por volta das 4h do feriado de 1º de maio, foi registrado com a câmera de um celular.

O vídeo mostra o instante em que o tiro é disparado, após uma discussão entre o osteopata e o juiz. O caso só não terminou em tragédia porque a bala desviou na grade de uma janela, abrindo, em seguida, um buraco na parede do edifício.

Os dois eram vizinhos. O juiz ainda mora no condomínio; já o osteopata saiu do prédio. Pedro alugava um imóvel de cerca de 400 metros quadrados, um andar abaixo da casa de Novelle. Pelo vão interno de circulação de ar do edifício, um podia ver parte do apartamento do outro. E foi nesse espaço que ocorreu o incidente, filmado pelo osteopata.

Na gravação, enquanto Pedro apoia o celular no parapeito de uma janela, escuta-se um grito que seria do juiz: “Bandido!”. Depois, o magistrado aparece na imagem, na área de serviço de seu apartamento, e faz acusações contra o osteopata. “Tu é safado. Pedro safado!”, diz ele.

Ex-defensor público, Novelle é juiz há quase 20 anos e está de licença médica do Tribunal de Justiça do Rio. Antes de assumir a 15ª Vara Cível da capital, passou por comarcas como as de Nova Friburgo e São Gonçalo. Em março deste ano, foi dele a decisão que deu prazo de 24 horas ao Facebook para retirar do ar as fake news a respeito da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada alguns dias antes com o motorista Anderson Gomes.

Pedro, que é de São Paulo, mudou-se para o Rio em 2014. Estava morando há aproximadamente um ano e meio no condomínio da Avenida Atlântica, período no qual, segundo ele, quase não trocou palavras com o juiz:

— Ele era muito educado quando nos cruzávamos. Nunca tivemos atrito.

No entanto, o osteopata conta que, uma semana antes do ataque, foi acordado, de madrugada, por gritos de Novelle. Os xingamentos, daquela vez, seriam dirigidos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-governador Sérgio Cabral, ambos presos. Pedro diz que, no feriado de 1º de maio, ouviu xingamentos por quase duas horas. Antes de fazer o vídeo do disparo, ele gravou áudios que, afirma, são do magistrado.

Em um dos trechos, ouve-se uma ameaça: “Suba um andar para ver o que você vai levar na cabeça ou no peito”. O osteopata diz que tomou a decisão de gravar um vídeo depois que o juiz ameaçou duas amigas que o visitavam. (…)

O DCM reproduz a seguinte nota enviada à redação:

Em razão das notícias veiculadas no último dia 11 de junho, a Defesa do magistrado Dr. Jorge Jansen Couñago Novelle vem esclarecer o seguinte: 1. O Sr. Pedro Guerra narrou à imprensa uma versão que não condiz com a verdade dos fatos, apresentando ao Tribunal de Justiça vídeos que necessitam ser periciados. 2. Naturalmente, Pedro Guerra não gravou o momento em que proferiu graves ameaças em face do magistrado e se dirigiu ao apartamento, durante a madrugada, batendo à porta em tom intimidador. Tampouco fez menção aos recentes episódios em que esteve envolvido, no mesmo edifício, quando tentou invadir o apartamento de outro morador, octogenário. 3. As mídias ilegalmente vazadas por ele esclarecem que, no momento do fato, o aparelho encontrava-se estático, encostado em uma parede do lado de fora da janela interna do condomínio, sem a sua presença. 4. Este senhor é réu em diversas ações penais, foi despejado do condomínio por falta de pagamento, se não bastassem os registros de conduta antissocial que incluem, da utilização do imóvel para fins comerciais à prática de atos obscenos. 5. Há informações ainda de que na data dos fatos, Pedro Guerra não teve sequer condições de acompanhar o trabalho dos agentes policiais e se encontrava desacordado no chão do apartamento. 6. O Dr. Jorge Jansen, por outro lado, é magistrado há vinte e um anos, foi defensor público por sete, sendo respeitado e reconhecido por suas decisões em favor dos direitos fundamentais das pessoas menos favorecidas. 7. Recentemente, foi responsável por determinar ao Facebook que fossem retiradas as informações falsas sobre a vereadora Marielle da rede social, decisão importante à preservação da sua memória e da dignidade da sua filha e companheira. 8. O contexto dos fatos está sendo examinado em procedimento sigiloso junto ao TJRJ, oportunidade em que serão esclarecidos todos os detalhes do acontecimento.

Antonio Pedro Melchior