
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que Brasil e África do Sul devem ampliar a cooperação na área de defesa e fortalecer a produção conjunta de equipamentos militares voltados à autodefesa. A declaração foi feita durante encontro com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa no Palácio do Planalto, em Brasília.
Durante a reunião bilateral, Lula defendeu que os dois países do Sul Global aproveitem seu potencial tecnológico e industrial para reduzir a dependência externa no setor de defesa.
“Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui, ninguém tem bomba nuclear, bomba atômica. Nossos drones são para agricultura, para a ciência e tecnologia e não para a guerra. Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, afirmou.
O presidente também criticou a dependência de armamentos produzidos por grandes potências internacionais. “Não precisamos ficar comprando dos ‘Senhores das Armas’. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, declarou.
Lula fala sobre ameaças militares estrangeiras:
“Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui os nossos drones são para a agricultura, não para a guerra. (…) Mas, se a gente não se preparar para a questão da defesa, qualquer dia alguém invade a gente.”
— poponze (@poponze) March 9, 2026
As falas ocorreram após a assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio exterior e indústria. A visita oficial de Ramaphosa ao Brasil segue até terça-feira (10) e integra uma agenda de cooperação entre os dois países.
O presidente também comentou a escalada de tensão no Oriente Médio e demonstrou preocupação com os impactos globais do conflito envolvendo o Irã. Lula afirmou que o aumento da instabilidade internacional pode pressionar preços e afetar cadeias econômicas.
Segundo ele, a guerra já provoca elevação no preço do petróleo em diversos países. Lula também destacou os impactos humanitários do conflito iniciado após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de quase duas centenas de pessoas em Teerã.
“Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos. São mais vulneráveis, sobretudo, as mulheres e as crianças que sofrem os impactos mais severos dessas crises”, declarou.
Outro tema abordado na reunião foi a exploração de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a transição energética e digital. Lula defendeu que Brasil e África do Sul desenvolvam suas cadeias produtivas para evitar repetir modelos históricos de exportação de matérias-primas sem valor agregado.
“Já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos aquilo que foi feito por minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando 100 vezes mais caro”.
O presidente também criticou a exploração histórica de recursos naturais do país sem retorno econômico equivalente. “Chega! Já levaram toda a nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de ferro. O que mais querer levar? Quando a gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza para nós e nós ficamos dando para os outros?”
Para Lula, o desafio agora é transformar os recursos minerais estratégicos em desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida da população.