
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento contundente neste sábado (21), no 1º Fórum Celac-África, realizado em Bogotá (Colômbia). Em seu discurso, Lula criticou o “neoextrativismo” promovido pelas potências desenvolvidas, que buscam explorar recursos naturais dos países em desenvolvimento de maneira predatória. O presidente também condenou as intervenções externas, enfatizando a necessidade de se manter o Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas de potências externas.
Lula aproveitou a ocasião para se posicionar contra a passividade da ONU e seu Conselho de Segurança em relação aos conflitos internacionais, como os da Ucrânia, Gaza e, mais recentemente, no Irã. Embora não tenha citado diretamente os Estados Unidos ou outros países envolvidos, Lula mencionou as tensões em regiões como a Venezuela, ao destacar a importância de respeitar a integridade territorial dos países sem interferência externa.
Em sua fala improvisada, Lula enfatizou que as guerras em curso estão afastando os países do caminho do desenvolvimento. Ele afirmou que a destruição e os conflitos em lugares como a Ucrânia e Gaza apenas prejudicam o progresso global, ao mesmo tempo em que desestabilizam regiões chave para o desenvolvimento das nações do Sul Global. Para ele, o país deve se concentrar em estabelecer uma nova ordem mundial, onde a cooperação entre países da América Latina, Caribe e África seja prioritária.
O presidente também chamou atenção para a crescente importância dos minerais críticos no cenário internacional. Em sua fala, afirmou que os países ricos já exploraram as riquezas naturais dos países em desenvolvimento, como ouro e diamantes, e agora buscam novos recursos estratégicos como os minerais críticos, essenciais para a indústria de alta tecnologia. Lula pediu mais cooperação entre os países que possuem esses recursos, para garantir que as potências não façam uma nova forma de exploração predatória.

Lula não deixou de criticar a forma como as potências mundiais lidam com os países em desenvolvimento, buscando explorar seus recursos naturais sem respeito pela soberania local. Ele enfatizou que a América Latina e a África devem formar alianças mais fortes, baseadas em interesses comuns e na proteção de suas riquezas naturais, para evitar a exploração desenfreada por parte das grandes economias globais.
Ao comentar sobre o Irã, Lula relembrou a mediação do Brasil em 2010, quando o país ajudou a negociar um acordo sobre o enriquecimento de urânio com o regime iraniano. O presidente criticou a falta de reconhecimento de tal iniciativa pelas potências mundiais, que, segundo ele, preferem resolver suas disputas por meio de intervenções militares, como evidenciado nos conflitos recentes.
O discurso também se voltou para a necessidade de um novo tipo de relação internacional, onde o respeito pela autodeterminação dos países seja essencial. Lula afirmou que, enquanto os países desenvolvidos continuam a impor suas agendas, os países do Sul Global precisam trabalhar mais unidos para garantir que seus recursos sejam utilizados de maneira responsável e sustentável.
O presidente concluiu seu discurso reafirmando o compromisso do Brasil com a integração sul-americana e africana, destacando a importância de se construir um futuro mais justo e igualitário para os países do Sul Global. Em sua visão, o fortalecimento das relações entre essas regiões será crucial para garantir que suas riquezas não sejam mais alvo de exploração externa, mas sim uma fonte de desenvolvimento e prosperidade interna.
Veja o vídeo:
https://twitter.com/LulaOficial/status/2035448038211150139