VÍDEO – Lula descarta Bolsonaro, mas lembra de Flávio na Espanha: “O extremismo não acabou”

Atualizado em 18 de abril de 2026 às 11:27
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Lula afirmou neste sábado (18), em Barcelona, que o extremismo continua ativo no Brasil mesmo após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado. Durante discurso no 4º Encontro em Defesa da Democracia, o presidente disse que o país derrotou recentemente esse projeto político, mas alertou que ele voltará a disputar a eleição de outubro.

A fala foi feita em meio a um cenário de incerteza na corrida presidencial e diante de pesquisas que mostram disputa apertada entre o petista e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“E posso dizer para vocês, companheiros, no meu Brasil nós acabamos de derrotar o extremismo. Nós temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de cadeia. Nós temos quatro generais de quatro estrelas presos porque tentaram dar um golpe. Mas o extremismo não acabou. Ele continua vivo e vai disputar a eleição outra vez”, disse Lula, sem citar nominalmente o primogênito de Jair Bolsonaro.

Veja o momento da fala: 

A declaração foi feita em um fórum internacional voltado à defesa da democracia, lançado em 2024 por Brasil e Espanha. Ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e de outros chefes de Estado, Lula aproveitou o encontro para associar a disputa política brasileira a um quadro global de avanço da extrema direita, enfraquecimento das instituições multilaterais e crescimento de ameaças à soberania dos países.

No discurso, o presidente voltou a fazer duras críticas à ONU e ao funcionamento do Conselho de Segurança. Segundo ele, a organização deixou de cumprir o papel para o qual foi criada e já não consegue responder aos principais conflitos do mundo.

“Porque esse tema [democracia] que nós estamos discutindo aqui poderia estar sendo discutido nas Nações Unidas. E por que não está discutido nas Nações Unidas? Porque hoje as Nações Unidas não representam aquilo para o qual ela foi criada”, afirmou.

Lula também atacou diretamente a postura das grandes potências e disse que os membros permanentes do Conselho de Segurança perderam a função de garantir a paz. “Os cinco membros do Conselho de Segurança, os membros permanentes, que quando se criou o Conselho de Segurança era para garantir a paz no mundo após a Segunda Guerra Mundial, viraram os senhores da guerra”, declarou.

Em seguida, afirmou: “A ONU que teve força para criar o Estado de Israel, ela não tem força sequer para manter o Estado Palestino. Aliás, não tem força para manter as terras que foram marcadas na própria ONU”.

Sem citar Donald Trump pelo nome, Lula também criticou a escalada de ameaças internacionais feitas por líderes mundiais. “Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com o tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, disse.

Em outro momento, reforçou: “Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar o seu comportamento”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.