VÍDEO – Lula diz que não deixará “guerra de Trump e Netanyahu” afetar preços no Brasil

Atualizado em 1 de abril de 2026 às 12:00
O presidente Lula em entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, do Ceará, nesta quarta (1º). Foto: Reprodução

O presidente Lula afirmou nesta quarta (1°) que fará todo o possível para evitar que a “guerra do seu Trump e do seu Netanyahu” aumente os preços dos produtos no Brasil. Ele ainda classificou como “mentira” a acusação de que o Irã deseja desenvolver armas nucleares e afirmou que o conflito no Oriente Médio é “desnecessário”.

“Não vamos comparar com a política do Bolsonaro, porque não tem nada a ver, até porque a situação é totalmente diferente. Nós temos uma guerra. Os Estados Unidos da América do Norte se meteram a fazer uma guerra desnecessária no Irã. Alegando o quê? Que no Irã tinha arma nuclear. Mentira. Eu digo porque eu fui, em 2010, ao Irã fazer um acordo — e fizemos o acordo — e depois os EUA não aceitaram, nem a União Europeia”, disse o presidente ao Grupo Cidade de Comunicação, do Ceará.

“Eu tenho assumido o compromisso: nós vamos fazer o que tiver ao alcance do governo para não permitir que a guerra do seu Trump e do seu Netanyahu contra o Irã não aumente o preço do feijão, do alface, da salada e da carne de bode aqui para o povo do Nordeste”, prosseguiu.

Lula comentou também sobre o aumento de mais de 50% no preço do barril de petróleo Brent, referência mundial, e a consequente alta no preço do diesel. O petista apontou que o governo brasileiro anunciou medidas para evitar que a alta nos combustíveis chegue com força ao consumidor.

Ele ainda afirmou que medidas emergenciais, como a redução de tributos federais, estão em curso para amortecer os preços, com o objetivo de reduzir o impacto da crise internacional no mercado interno. A sua principal preocupação é com a elevação no preço do diesel, impactado pela guerra no Oriente Médio.

Na noite de terça  (31), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o conflito no Irã teria fim em duas a três semanas, enquanto novos ataques contra continuavam. O governo israelense também se envolveu diretamente nos ataques, o que gerou repercussões na dinâmica do mercado de energia mundial.

O presidente brasileiro falou sobre a crise do petróleo e o bloqueio de rotas estratégicas no Oriente Médio, especialmente pelo Irã. Ele lembrou que o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, sendo o restante produzido internamente.

Lula reiterou que a guerra no Oriente Médio é injustificada e criticou os argumentos por trás do conflito. Ele lembrou de sua atuação diplomática em 2010, quando fez um acordo com o Irã para que o país enriquecesse urânio para fins pacíficos, como o Brasil. A guerra, segundo ele, é mais um exemplo de interesses políticos que afetam a vida dos cidadãos.

Para mitigar os efeitos da guerra, o governo adotou uma série de ações, incluindo a redução de tributos como PIS/Cofins, que gerou um “amortecimento” no preço do diesel. O presidente também anunciou negociações com os governadores para reduzir o ICMS sobre combustíveis, com o objetivo de dividir o custo da desoneração entre a União e os estados.

Lula, no entanto, afirmou que as negociações com os governadores não serão impostas de maneira autoritária. A proposta é que União e estados compartilhem o custo da redução de impostos sobre combustíveis, com o governo federal arcando com metade do custo.

Veja a entrevista:

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.