VÍDEO – Marco Feliciano diz que foi abandonado por Bolsonaro em corrida ao Senado: “Ingratidão”

Atualizado em 8 de junho de 2026 às 11:27
Marco Feliciano em entrevista ao “Eu Acredito Podcast”. Foto: reprodução

O deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) afirmou que se sentiu abandonado pela família Bolsonaro e pelo PL após ficar fora dos planos da extrema-direita para a disputa ao Senado por São Paulo. Em entrevista ao podcast Eu Acredito, o parlamentar disse que esperava ser lembrado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e reclamou da falta de gratidão dentro do grupo político.

O pastor citou sua relação antiga com o clã Bolsonaro e afirmou que teve papel importante na eleição de Eduardo Bolsonaro para a Câmara dos Deputados. “Eu tive 400 mil votos, o Eduardo teve pouco mais de 70, se não me falta memória, e ele não seria eleito, mas a sobra dos meus votos no ex-partido, o Eduardo se tornou deputado”, declarou. A declaração é equivocada, uma vez que Eduardo teve mais de 740 mil votos, contra 220 mil de Feliciano.

O deputado disse que esperava reconhecimento por esse histórico. “A família tem um histórico comigo, e eu pensei que de fato, nesse momento, eu seria lembrado. Porque gratidão é a memória do coração”, afirmou. Mesmo assim, disse que optou por não criar conflitos com o grupo. “Mas eu sou leal. Lealdade às vezes implica nisso, você ficar quieto para evitar um problema maior”.

A queixa de Feliciano também envolve a disputa de 2022, quando ele afirma ter recebido uma promessa de Bolsonaro para concorrer ao Senado, mas acabou preterido em favor de Marcos Pontes, eleito naquele ano.

Segundo o parlamentar, o próprio Bolsonaro teria reconhecido a dívida política naquele momento. Feliciano citou um vídeo em que o ex-presidente teria afirmado que o deixou de lado “com dor no coração”. Para o deputado, a escolha por Pontes foi um erro político. Ele disse que Bolsonaro “indicou outra pessoa que acabou traindo ele no início do mandato”.

Feliciano afirmou que recebeu nova sinalização de que seria contemplado desta vez. “Eu tinha a palavra que dessa vez seria eu, só que aí mudou tudo e foi o Eduardo”, declarou. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi para os Estados Unidos em março de 2025 fugindo da Justiça brasileira e passou a ser tratado como nome do bolsonarismo para a disputa ao Senado.

O deputado disse que não reagiu inicialmente porque Eduardo é filho de Bolsonaro. “Como é o Eduardo, eu fiquei quieto, é o filho. Em família não se mexe”, afirmou. Com a impossibilidade de Eduardo disputar, Feliciano voltou a cobrar espaço. “Mas o Eduardo ficou impossibilitado de vir, então eu perguntei, e agora?”.

De acordo com Feliciano, Bolsonaro sugeriu que a definição fosse feita por meio de pesquisas. “O Bolsonaro falou para mim, vamos fazer pesquisa, o que tiver melhor vai”, relatou. O parlamentar disse que pediu ao PL para incluir seu nome nos levantamentos, mas reclamou que isso ocorreu apenas uma vez de forma oficial.

Feliciano afirmou que chegou a pontuar bem quando foi citado. “Eu entrei em duas, numa, alguém citou meu nome de maneira avulsa, eu pontuei com 9 pontos, e na outra o partido colocou meu nome, foi uma só, nessa eu pontuei com quase 14 pontos”, disse. Depois disso, segundo ele, o partido deixou de colocá-lo nas pesquisas.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.