VÍDEO: meu encontro com o provocador profissional do ‘Mamãe Falei’, que sempre age protegido pela PM. Por Donato

Publicado originalmente em janeiro de 2017

Percorridos poucos mas fatigantes quilômetros desde a saída na avenida Paulista, o primeiro ato do Movimento Passe Livre contra os reajustes nas tarifas da integração e dos bilhetes mensal e semanal deparou com provocadores na avenida Brasil (que ironia).

Na realidade, Arthur Moledo Do Val, conhecido como ‘Mamãe Falei’, nome de seu canal no YouTube, estava desde a concentração na Praça do Ciclista provocando manifestantes e ativistas com suas entrevistas repletas de perguntas ‘inteligentes’.

Em sua apresentação já dá uma palinha do quanto é sagaz: ‘Será que não está na hora de termos mais propriedade no jeito que escutamos, pensamos e falamos?’. Ahan.

Esse arremedo de youtuber é um provocador profissional. Diz-se ‘associado do Movimento Brasil Livre’ e sempre que possível age como penetra em protestos e manifestações em defesa por direitos. Como ‘liberal’, vai lá com o propósito único de acirrar os ânimos.

A marcha já estava próxima de seu destino. A intenção do Passe Livre era chegar à casa do prefeito João Doria, onde faria a solenidade de entrega do “Prêmio Catraca – categoria Aumento Inovador”, pela criatividade em camuflar o aumento nas integrações alegando manter congelada a tarifa.

Com suas perguntas cretinas dirigidas a manifestantes escolhidos de maneira maldosa, o tal ‘Mamãe Falei’ terminou por tirar as pessoas do sério. Um grupo o cercou e ele, juntamente com um companheiro, correram para trás do cordão policial mais próximo. Havia muitos cordões humanos de bloqueio, um em cada esquina durante todo o trajeto, um contingente enorme.

Protegido por por policiais fortemente armados, Mamãe Falei passou a provocar a massa de manifestantes da maneira mais sórdida que o bom fascista sabe fazer: oferecendo um sanduíche de mortadela.

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Aqui abro um parêntesis. Como soldados da PM sabiam quem era ele? Por que protegeram de maneira tão dedicada? Se algum manifestante saído daquele bloco corresse em direção à polícia seria recebido com repulsa e até, como soe ocorrer, com violência. Arthur e seu amigo ficaram ali entrincheirados por quanto tempo? Certeza absoluta de que não tiveram nada a ver com a quebradeira de bancos depois do ato já terminado? Fecha parêntesis.

Cercados por uma pequena multidão já saturada de suas provocações e hiprocrisias, Mamãe Falei soltou um “é assim que esquerda dialoga”.

Buscando um espaço entre policiais que resguardavam a dupla e pediam para manter distância e que não se ‘atrapalhasse’ o serviço, questionei Arthur:

“E você, é assim que você dialoga, na base da provocação? Por que ofereceu o sanduíche?”

Arthur respondia de forma inaudível e passou a filmar meu rosto. Seu companheiro de fascismo foi quem tomou a palavra:

“Mídia esquerdista é mídia agora? Aquela mídia paga que compra pão com mortadela?”

A PM continuou a me afastar aumentando o perímetro de segurança de Mamãe Falei e seu papagaio de pirata. A manifestação seguiu até onde o comando policial instalou um aparato amedrontador (blindados, Choque, escopetas, motos) que dava o recado ‘daqui não passa mais’ e o ato foi finalizado.

João Doria, o mesmo que agora anuncia que quer tirar o programa Leve Leite e também o transporte de estudantes, não foi incomodado. Mamãe Falei nunca irá entender o que um aumento no preço da tarifa representa como penalidade na vida do trabalhador. E a PM deu mais uma mostra do lado de quem está. Não foi uma manifestação para deixar ninguém otimista. Feliz ano velho.

 

O protesto do MPL na quinta, dia 12
O protesto do MPL na quinta, dia 12 (FOTO MAURO DONATO)