VÍDEO: Militar que matou por ciúmes mulher e o amigo dela gay vai a júri popular. Por Daniel Trevisan

O vídeo acima tem imagens muito fortes. Foram gravadas em 12 de junho do ano passado, Dia dos Namorados. No vídeo, o militar da Aeronáutica Juenil Bonfim de Queiroz, sargento da reserva, aparece matando a mulher, Francisca Naíde de Oliveira Queiroz, e o ex-vizinho Francisco de Assis Pereira da Silva.

Ele tinha ciúmes. Achava que Francisco tinha tido um caso com a esposa. Ocorre que Francisco é gay, e as imagens foram gravadas pelo namorado dele, Marcelo Brito.

“Seu Queiroz, eu tenho certeza de que isso não aconteceu”, ponderou Marcelo minutos antes do militar carregar a arma e efetuar os disparos. “Calma, seu Queiroz”, diz ele, mais de uma vez.

Depois do crime, o militar manda Marcelo chamar a política e diz que acabou com a própria, mas resolveu o caso como achava correto.

Na última segunda-feira, o juiz Frederico Ernesto Cardoso Maciel também tomou uma decisão justa, esta indiscutivelmente justa. Decidiu que o militar será levado a júri popular e que, mesmo antes do julgamento, permaneça preso.

O vídeo mostra a frieza com que Juenil Queiroz agiu. Chega a impressionar. Quando soube que Francisco estava no prédio, mandou chamá-lo.

Francisco chegou a acompanhado do namorado, e no vídeo é possível ouvi-lo negando que tivesse tido um caso com a mulher de Juenil.

O militar da Aeronáutica se comporta o tempo todo como se fosse dono do corpo da mulher e, quando soube, que a discussão estava sendo gravada, continuar a ofender o suposto rival.

A mulher pede que a gravação continue.

Depois dos tiros, é possível ouvir os gritos de dor da mulher. Depois, o silêncio.

Quantos crimes hediondos como este continuarão a ocorrer antes que a sociedade brasileira possa viver em paz?

O Brasil é o quarto país do mundo em que mais mulheres são assassinadas em razão do gênero — a definição do feminicídio.

Quem ama não mata. Nunca. A separação é o caminho correto para situações desse tipo, em que o homem se mostra atormentado pelo ciúme, mas a morte, jamais.

 

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