VÍDEO: Ministros do TST após fala sobre divisão entre “vermelhos e azuis” na Corte

Atualizado em 5 de maio de 2026 às 10:39
Os ministros Vieira de Mello Filho, presidente do TST, e Ives Gandra. Foto: reprodução

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) foi palco de um bate-boca entre ministros na última segunda-feira (4), após viralizar nas redes sociais um trecho de fala do presidente da Corte, Vieira de Mello Filho, sobre juízes “vermelhos e azuis”. A metáfora foi associada por usuários a uma suposta divisão política entre magistrados, mas o presidente afirmou que se referia a classificações usadas em curso para advogados que atuam no tribunal.

A discussão ocorreu no início da sessão da Corte especial do TST e durou mais de trinta minutos. Vieira de Mello Filho disse que sua fala foi retirada de contexto e classificada de forma “maldosa” nas redes sociais. Segundo ele, o comentário foi feito após receber material de um curso que dividia ministros entre azuis e vermelhos, conforme fossem “mais liberais ou intervencionistas, mais legalistas ou ativistas”.

“Não tem juiz azul nem vermelho. Sou do tempo em que todos nós, com os nossos diferentes pensamentos, trabalhamos para o desenvolvimento, fortalecimento e crescimento da Justiça do Trabalho”, afirmou Vieira no evento que originou o recorte.

No plenário, o presidente do TST defendeu que sua manifestação tinha como objetivo proteger a instituição. “Batizado que fui pela cor que me deram, queria deixar claro qual era minha causa. A minha causa é a defesa a instituição. Não participo de nenhum evento pago. Estava dizendo para os juízes que precisamos defender nossa Justiça, que está ameaçada”, disse. “Como presidente do Tribunal, não poderia ficar omisso diante de curso de como advogar nessa corte. Se isso não é um conflito ético, não sei mais o que seria”.

Veja a discussão:

 

Segundo o Globo, Vieira citou o ministro Ives Gandra Filho e afirmou que conversou com ele antes de se manifestar publicamente. Também disse agir com “transparência” e declarou que “não age por outras vias”, em referência ao que disse ter visto “infelizmente” no Senado recentemente, após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Disse no evento que sou de um tempo em que discutimos ideias com nossas diferenças e argumentos, ninguém era classificado na cor a ou b. Ninguém tem direito de me julgar se sou ativista ou não. Tenho a prova documentada de onde começou isso. E tenho certeza que Ives na sua dignidade não vai dizer que não começou nesse evento de como atuar no TST. E é por isso que me manifesto expressamente, para que toda população saiba: não sou juiz parcial. Decido sempre com a técnica”, afirmou.

Ives Gandra Filho rebateu e disse que há uma “divisão interna” no tribunal sobre diferentes formas de enxergar o direito do trabalho. “Exatamente da forma que procurei colocar no curso: há ministros que têm visão mais liberal e mais intervencionista; há uns mais legalistas, outros mais ativistas. Tudo isso é uma realidade que vemos diuturnamente no tribunal. Há turmas que são mais liberais e há turmas que são mais protecionistas. Essa realidade não é possível esconder”, declarou.

O embate continuou, e Vieira questionou “qual o interesse de querer destruir a Justiça do Trabalho”. Em seguida, afirmou que divergências internas sempre existiram, mas eram construídas com ideias, e não com rótulos.

A ministra Maria Cristina Peduzzi criticou o tom da discussão. “Não vejo nenhuma atitude democrática em um bate-boca como esse. Se tiver que responder pelos atos praticados, cada um fará e responderá por si. Não vejo necessidade de repreender colegas e ministros. Todos aqui atuam em nome da justiça e são agentes da justiça. Ninguém aqui está comprometido com interesses e causas”, pontuou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.