VÍDEO – Na Câmara, Braga Netto diz que não que houve ditadura militar no Brasil e nega ameaça a Lira

Braga Netto em audiência na Câmara

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, negou que tenha havido uma ditadura militar no Brasil.

“Não considero que houve uma ditadura. Houve um regime forte, isso eu concordo”, declarou. “Cometeram excessos dos dois lados, mas isso tem que ser analisado na época da história de Guerra Fria e tudo o mais. Não pegar uma coisa do passado e trazer para os dias de hoje. Se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui”.

Fernanda Melcchiona, do PSOL, rebateu no ato. “Como o senhor pode desrespeitar a memória das pessoas?”, criticou, citando a tortura sofrida pelo colega de partido Ivan Valente.

Braga Netto passeou relativamente tranquilo. Foi favorecido pelo formato da inquirição, que juntava questões em bloco de vários parlamentares.

Jurou que não ameaçou o presidente da Câmara se o voto impresso não fosse implantado e mentiu ao alegar que Arthur Lira “confirmou publicamente que não houve esse episódio”. Lira jamais desmentiu o encontrou.

Tentou abrandar o discurso sobre o “papel moderador” dos militares: “O País tem somente Três Poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, que têm de estar harmônicos e independentes. A Força Armada trabalha com o que está em cima do artigo 142. É isso, sem especulações e sem ilações”.

O trecho da Constituição diz que “as Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

Segundo o general, “é isso que as Forças Armadas fazem, nem por um lado, nem por outro. As Forças Armadas cumprem o que está previsto na Constituição”.

Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) fez seu teatro, falou groselha e atacou o DCM mais uma vez, ameaçando nos processar por uma matéria sobre a viagem dele e de sua mulher aos EUA, em que ela se queixou dos mendigos e do cheiro de urina em Nova York.