
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, minimizou suas conexões políticas durante depoimento prestado à Polícia Federal no fim de dezembro de 2025, no âmbito da investigação sobre a venda de créditos ao Banco de Brasília.
Ao falar sobre suposto apoio político, declarou: “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo.”
Mesmo negando influência política, Vorcaro confirmou que se reuniu com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, durante as tratativas para que o BRB adquirisse participação no Banco Master. Segundo ele, o encontro ocorreu porque o governo do DF é controlador indireto do banco público.
Em depoimento à PF, Vorcaro diz que se tivesse 'ajuda de políticos não estaria de tornozeleira' pic.twitter.com/BPf19uj0yR
— Jornal O Globo (@JornalOGlobo) January 30, 2026
Questionado sobre quando o Banco Central tomou conhecimento das carteiras vendidas ao BRB, Vorcaro afirmou: “O Banco Central me fez uma comunicação em março, 17 de março, pedindo para que a gente explicasse quais eram esses novos originadores.” Segundo ele, o banco respondeu informando que os papéis haviam sido emitidos por “terceiros”.
Sobre a continuidade da fiscalização, Vorcaro declarou: “O Banco Central não pediu para aprofundar oficialmente, mas a gente debateu e as equipes debateram ao longo dos meses todos.” Ainda de acordo com o depoimento, após a resposta enviada, “não foi emitido nenhum comunicado para aprofundar ou apontar erro”.
A delegada da PF perguntou se o Master foi alvo de processo sancionador antes da liquidação extrajudicial. Vorcaro respondeu: “Não, nunca, até dia 17 de novembro de 2025, nenhum processo do Banco Central.” A data mencionada corresponde à véspera da liquidação decretada pela autarquia.

Em outro trecho do depoimento, Vorcaro afirmou que a tentativa de venda do Banco Master ao BRB foi “recomendada por diversas auditorias” e também pela “própria fiscalização do Banco Central”, então comandada por Ailton de Aquino. Ao responder se faria o negócio, disse: “Eu faria, sim, esse negócio. Esse negócio foi recomendado pela própria fiscalização do Banco Central, que indicava como sendo um bom negócio para o sistema financeiro.”
Questionado sobre eventual falha do órgão regulador, Vorcaro declarou: “Não. Na verdade, eu acredito que a área de fiscalização presidida pelo senhor Ailton, até o momento do dia 17, atuou com a diligência normal, porque eram debatidos diariamente os pontos com relação tanto ao Banco Master quanto às negociações do BRB, quanto às carteiras.” Ailton de Aquino prestou depoimento no mesmo dia e não é investigado.
A investigação trata de uma transação estimada em R$ 12 bilhões em créditos considerados fraudulentos, repassados pelo Banco Master ao BRB. As apurações envolvem a origem desses ativos e a responsabilidade dos executivos das instituições financeiras envolvidas.