VÍDEO: Nikolas Ferreira ataca fim da escala 6×1 e diz que demissões em massa seriam “maravilhosas”

Atualizado em 28 de maio de 2026 às 7:47
Nikolas Ferreira durante discurso no Congresso. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a ser alvo de críticas após discursar contra a PEC que acaba com a escala 6×1 e institui a escala 5×2, com dois dias de descanso semanal para trabalhadores. Em fala no Congresso, nesta quarta-feira (27), o parlamentar, que se diz patriota, afirmou que a medida tende a prejudicar milhões de brasileiros e disse que irá “comemorar” caso haja demissões em massa.

“Quando tiver demissão em massa, quando aumentar o preço dos produtos, quando o empreendedor não conseguir mais [crescer] e ter que demitir a pessoa para contratar outro… aí, meus amigos, esse dia vai ser maravilhoso”, disse Nikolas.

A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em segundo turno por 461 votos favoráveis e 19 contrários. O texto reduz a jornada semanal de 44 para 42 horas em uma primeira etapa, sem corte salarial. Após um ano de transição, a carga máxima cairá para 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.

A proposta aprovada é o substitutivo relatado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Antes de chegar ao plenário, o texto passou pela comissão especial da Câmara, onde foi aprovado por 34 votos a 4. A PEC agora seguirá para análise do Senado.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) também ironizou Nikolas durante uma entrevista na quarta-feira. Ela entregou ao deputado uma garrafa de óleo de peroba e publicou o vídeo nas redes sociais. “CARA DE PAU! Entreguei ao Nikolas o presente que ele merece por mentir tanto sobre o fim da escala 6×1. Até hoje ele não apresentou a carteira de trabalho”, escreveu.

Nikolas reagiu dizendo que a parlamentar queria se promover. “Ela precisa de mim para ganhar voto. Ela quer aparecer em ano de eleição”, afirmou. Depois da entrevista, o deputado acusou Sâmia de estar “desesperada” por votos.

A votação foi acompanhada por pressão de trabalhadores, centrais sindicais e movimentos sociais, que fizeram atos e mobilizações nas redes pelo fim da escala 6×1. A proposta ganhou força após meses de debate público sobre saúde mental, tempo de descanso, convivência familiar e impacto da jornada sobre quem trabalha seis dias por semana.

O governo Lula apoiou a mudança e atuou para construir acordo em torno da escala 5×2. A base governista tratou a aprovação como uma vitória social e uma resposta à pressão popular. Partidos de oposição tentaram apresentar alternativas, incluindo a defesa da escala 4×3, mas a maioria dos deputados manteve o eixo do texto aprovado.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.