VÍDEO – Nikolas Ferreira é chamado de “mito” em evento e irrita “bolsonaristas raiz”; entenda

Atualizado em 26 de maio de 2026 às 9:34
Nikolas Ferreira, deputado de extrema-direita. Foto: Brenno Carvalho/O Globo

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a ser alvo de ataques de bolsonaristas em meio a um novo racha público na extrema-direita. O deputado foi criticado após ser chamado de “mito” em um evento em Campo Grande e também por um vídeo gravado no Acre, no qual apoiadores de Jair Bolsonaro afirmam ter visto sinais de incômodo do parlamentar ao ouvir uma referência ao ex-presidente.

Na gravação do evento em Campo Grande, Nikolas entra no palco sob aplausos. Quando a euforia diminui, alguém grita “mito”, apelido usado historicamente por Jair Bolsonaro, e o deputado ri. Para parte do chamado bolsonarismo raiz, ele deveria ter rejeitado a comparação.

A reação foi tratada por críticos como sinal de que Nikolas tentaria ocupar o lugar de Bolsonaro como principal liderança da direita. Essa leitura aparece associada à acusação de ingratidão, já que o deputado se elegeu em 2022 com votação recorde em Minas Gerais como aliado direto do ex-presidente.

A crise ganhou outro episódio com um vídeo gravado no Acre. Nas imagens, Nikolas aparece em um barco ao lado de um apoiador. Segundo críticos, ele teria mudado de postura quando o homem pediu um recado para Rodrigues Alves, definida como “a cidade mais bolsonarista do Acre”.

“O brilho sumiu o sorriso apagou”, escreveu uma bolsonarista no X. Outro perfil afirmou: “O comportamento corporal entrega: quando o entrevistador menciona a ‘cidade mais bolsonarista’, Nikolas claramente se incomoda, desvia o olhar, muda a postura e, de forma quase infantil, simplesmente ignora a palavra ‘Bolsonaro’ como se ela nunca tivesse sido dita”.

Nikolas reagiu no domingo (24) e publicou um vídeo do mesmo apoiador. No registro, o homem afirma que o conteúdo foi manipulado e que o deputado não o destratou. Ao comentar o caso, Nikolas disse que a edição não partiu da esquerda, mas de setores da própria direita.

“O vídeo manipulado para me difamar partiu da própria ‘direita’ do Twitter”, escreveu Nikolas. “Até o rapaz do vídeo achou que era a esquerda – sim, o modo de agir está igual”, completou.

O atrito também envolve Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos desde o ano passado. A relação entre os dois já vinha desgastada havia meses. Em julho de 2025, Eduardo chamou Nikolas de “canalha” após o deputado interagir com uma influenciadora que se dizia “ex-bolsonarista”. “Ela é uma pessoa abjeta, que defende a minha prisão e a de minha família. É triste ver a que ponto o Nikolas chegou”, afirmou.

Em fevereiro de 2026, Eduardo acusou Nikolas e Michelle Bolsonaro de “amnésia” por não atuarem mais fortemente na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O deputado mineiro respondeu que o ex-deputado “não estaria bem” e criticou rachas internos na direita.

Semanas depois, a crise voltou após Eduardo cobrar apoio explícito à candidatura de Flávio. Nikolas compartilhou uma publicação de um perfil de direita criticado por Eduardo, o que ampliou o conflito.

“Eu realmente acreditava que você iria cair em si, que com a eleição se aproximando o senso de salvar o país falasse mais alto do que o ego e eventuais desentendimentos, mas meses se passaram e você continua colocando Flávio numa espiral do silêncio, com menos de meia dúzia de apoios públicos, apenas para fingir não ter abandonado o grupo político que te projetou”, escreveu Eduardo.

Flávio Bolsonaro entrou na discussão e pediu “serenidade” aos aliados. “Tô gravando esse vídeo pra chamar todos pra racionalidade”, afirmou o senador, em tentativa de conter a crise interna no momento em que tenta se consolidar como principal nome da direita contra Lula.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.