
O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) usou o caso de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para cobrar tratamento isonômico da CPMI do INSS e ampliar os ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante sessão na Câmara, o parlamentar afirmou que, se houve quebra de sigilo do empresário sem que as investigações encontrassem irregularidades, também deveria haver medidas semelhantes envolvendo pessoas e estruturas ligadas ao campo bolsonarista.
A fala ocorreu no momento em que Flávio começa a se movimentar politicamente como possível nome para a disputa presidencial. Ao mencionar a condução da comissão, Otoni fez um apelo direto ao senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, e defendeu a ampliação das apurações.
“Eu quero fazer um apelo ao meu amigo particular, Senador Carlos Vianna, presidente da CPMI do INSS. Foi aprovado, depois de muito tumulto, a quebra do sigilo do Lulinha. Todo mundo sabe disso. Agora, é necessário que haja imparcialidade na condução da CPMI do INSS, que é uma característica do senador Carlos Vianna”, iniciou.
Na sequência, o deputado listou uma série de medidas que, segundo ele, precisam ser adotadas para que a investigação não mire apenas um lado do espectro político.
Deputado disse que quebraram o sigilo do filho do Lula e não acharam nada e agora precisa quebrar o sigilo do Flávio Bolsonaro para provar que ele é honesto. pic.twitter.com/Wd0ngjlfZf
— Pedro Ronchi (@PedroRonchi2) March 31, 2026
“Portanto, é necessário que se vote a quebra do sigilo da Clava Fort Bank, a convocação de Valadão, a convocação da senhora Letícia Caetano dos Reis, que administra o escritório do senador Flávio Bolsonaro, a quebra de sigilo do escritório do senador Flávio Bolsonaro, a convocação de Roberto Campos, a convocação de Cláudio Castro, só mais 30 segundos, a convocação de Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro”, solicitou.
Otoni encerrou a fala afirmando que a população quer esclarecimentos amplos sobre o esquema investigado, sem blindagem política. “Não dá pra passar pano, não dá pra passar pano. O povo brasileiro quer saber a verdade, tanto de um lado quanto do outro, porque essa roubadeira não começou nesse governo, essa roubadeira começou lá atrás, e o povo brasileiro quer saber a verdade de quem roubou aposentados e pensionistas”, finalizou.
Além do discurso na Câmara, Otoni também elevou o tom contra Flávio Bolsonaro em entrevista ao podcast Matinal, do site Amado Mundo. Na conversa, acusou o senador de liderar um suposto esquema de corrupção em hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo Jair Bolsonaro.
“Toda a estrutura de poder e de indicação política, e as empresas que participariam de licitações, que ganhariam ou que perderiam… Tudo isso estava dentro do grupo, cujo cabeça é o senador Flávio Bolsonaro”, afirmou.
O texto também destaca que Flávio segue em silêncio sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, mesmo após a liquidação da instituição pelo Banco Central. A ausência de manifestação tem sido explorada por adversários, enquanto Lula adota discurso público de cobrança por apuração.
Nesse ambiente, o PT intensificou críticas ao senador e tenta associá-lo politicamente ao caso, ampliando a pressão sobre o nome do PL no momento em que ele busca espaço nacional.