VÍDEO: Pastor diz que membros da escola que homenageou Lula terão “câncer na garganta”

Atualizado em 17 de fevereiro de 2026 às 17:19
O pastor Elias Cardoso. Foto: reprodução

O pastor Elias Cardoso, rogou uma praga para os membros da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula (PT) em sua estreia na elite do Carnaval do Rio de Janeiro no último domingo (15). Em culto na segunda-feira (16), o líder da Assembleia de Deus Ministério de Perus, uma das maiores denominações evangélicas do país, previu um “câncer na garganta” aos que cantaram pelo petista.

Em sua fala, o pastor disse que não haveria retaliação direta, mas orações contra os envolvidos. “Não vamos responder à provocação que fizeram nas escolas de samba, imitaram línguas estranhas, imitaram nossos cultos, tripodiaram em cima da nossa fé”, afirmou.

Em seguida, acrescentou: “Não vamos responder, vamos orar, vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, ele vai lembrar com quem ele mexeu, com quem ele mexeu. A tal Lábia Achúria, que ele inventou imitando língua estranha, não quer dizer nada. Língua estranha para nós depende de uma senha do céu, o resto é diabo, é capeta, é satanás, tentando imitar o culto a Deus”.

O religioso prosseguiu com críticas à encenação e defendeu que a resposta deveria ser espiritual, não judicial. “Mas o Senhor os repreenda, os epilintra, todos os que imitaram a fé da igreja e tripodiaram em cima de nós, em cima de todas as igrejas do Brasil, mais de 30 milhões de brasileiros. Nós vamos orar, não vamos representar não, vamos orar. Melhor representação não é no STF, não é na Justiça, não é no Ministério Público Federal, é lá em cima, direto no trono”.

Por fim, em tom moralista, concluiu: “A igreja não tem adúlteros, não tem maconheiro, não tem fumadores, não tem drogado, não tem prostituto, não tem bagunceiro, mas colocaram a mão na igreja. Deus vai responder. Aleluia! A igreja do Senhor está coberta, amparada pelo juiz do Supremo Tribunal Celestial. Ele vai responder”.

A polêmica teve origem na apresentação do último domingo (15), na Marquês de Sapucaí, que incluiu a ala intitulada “neoconservadores em conserva”, com foliões fantasiados com referências à chamada “família tradicional”. A encenação provocou reações de parlamentares ligados ao segmento evangélico, que acusaram a escola de ridicularizar a fé cristã em rede nacional.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que a “fé cristã foi exposta ao escárnio” e cobrou posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica. “Dizem que o país é laico, mas laicidade não autoriza zombaria, nem humilhação”, declarou. A senadora Damares Alves também criticou o desfile, afirmando que a ala “ridiculariza” a igreja evangélica e sugerindo conivência do governo com a encenação.

Senadores e deputados acionaram a Procuradoria-Geral da República alegando discriminação religiosa e escarnecimento público por motivo de crença. Nos pedidos, sustentam que a representação de evangélicos como “latas de conserva” expôs fiéis a constrangimento coletivo. Outros parlamentares pediram investigações e novas medidas judiciais.

A escola de samba informou que a fantasia fazia referência à “dita família tradicional” e buscava retratar grupos associados ao neoconservadorismo, incluindo setores do agronegócio, defensores da ditadura militar e segmentos religiosos, negando intenção de atacar a fé cristã.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.