
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para uma ala mais ampla na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, mas determinou que o novo espaço não tenha televisão. A decisão atende a pedido da defesa, que alegou condições inadequadas na cela onde o empresário estava desde a última quinta-feira (19).
Com a medida, Vorcaro passou a ocupar uma sala maior dentro da unidade, estrutura que já foi utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante período de custódia. Diferentemente do caso anterior, no entanto, o ministro deixou claro que o ambiente não deve contar com televisão, em uma tentativa de equilibrar melhores condições de detenção sem ampliar benefícios considerados incompatíveis.
Inicialmente, o dono do Banco Master estava em uma cela comum da carceragem da PF, com cerca de 9 metros quadrados, equipada com cama, banheiro e grades.
A defesa alegou insalubridade e solicitou a transferência para um espaço mais adequado. A nova área tem cerca de 12 metros quadrados e inclui mesa, cadeira, cama com colchão, banheiro privativo, além de ar-condicionado, janela, armário e frigobar.
Antes de chegar à Superintendência da PF, Vorcaro esteve detido na Penitenciária Federal de Brasília, em cela isolada de aproximadamente 6 metros quadrados, com estrutura mais rígida. A transferência para a unidade policial ocorreu após decisão do próprio Mendonça, que negou pedido de prisão domiciliar, mas autorizou a permanência em local com regras menos severas.
O banqueiro foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e a existência de uma estrutura paralela de monitoramento. Nos bastidores, a permanência na sede da PF é vista como estratégica para facilitar depoimentos e o contato com investigadores.
A defesa chegou a solicitar que Vorcaro fosse colocado na chamada “sala de Estado”, espaço reservado por lei a autoridades como ex-presidentes. A Polícia Federal, no entanto, avaliou que o empresário não se enquadra nesse perfil e o manteve inicialmente em uma cela padrão, decisão posteriormente revista com a autorização de um espaço intermediário.
Nos últimos dias, também surgiram informações sobre a possibilidade de um acordo de delação premiada. Segundo apuração, o advogado José Luís Oliveira Lima procurou a PF para indicar o interesse de Vorcaro em colaborar com as investigações. A defesa, no entanto, afirmou que não comentará o caso neste momento devido à “sensibilidade do caso”.
O processo envolvendo o Banco Master tramita sob sigilo no STF. Uma eventual colaboração do banqueiro pode trazer novos elementos às investigações, que apuram suspeitas de fraudes financeiras e outras irregularidades.