
Circula nas redes sociais um vídeo que atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a afirmação de que “pobre não nasceu para estudar, mas apenas para trabalhar”, durante um evento na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. O conteúdo, porém, é enganoso.
As imagens mostram um trecho isolado de um discurso feito em 16 de janeiro de 2026, durante as comemorações dos 331 anos da Casa da Moeda. Segundo postagens, Lula estaria defendendo que o estudo deve ser reservado apenas aos filhos da elite, enquanto os mais pobres deveriam se limitar ao trabalho braçal.
Denunciem o video no Instagram da fascista. O governo precisa começar a processar quem manipula imagens e vídeos do presidente. É crime https://t.co/GcECScWMe9
— Kriska Pimentinha (@KriskaCarvalho) January 18, 2026
A análise do discurso completo mostra que a fala foi retirada de contexto. No evento, Lula fazia uma crítica histórica à mentalidade das elites brasileiras e ao atraso do país na criação de universidades. Ao usar expressões como “pobre não precisa estudar”, o presidente estava ironizando um pensamento que, segundo ele, prevaleceu por séculos no Brasil para manter trabalhadores afastados do ensino superior.
No trecho omitido nas redes sociais, Lula compara o Brasil à República Dominicana, que criou sua primeira universidade apenas 32 anos após a chegada dos colonizadores, enquanto o Brasil levou 420 anos para fundar a sua, em 1920. A frase compartilhada reproduz, segundo o presidente, a lógica excludente da época.
No discurso, Lula afirmou que o objetivo atual é justamente o oposto: garantir oportunidades para que filhos de trabalhadores se tornem engenheiros, médicos, doutores e professores. Ele também citou o aumento da presença de negros e estudantes da periferia nas universidades, mencionando que hoje cerca de 50% dos alunos da Universidade de São Paulo (USP) são pardos e negros.
Especialistas em checagem apontam que a estratégia de descontextualizar falas é recorrente na política brasileira. Casos semelhantes já ocorreram com Lula e outras figuras públicas, por meio de cortes seletivos de vídeos que alteram o sentido original das declarações.
A conclusão é que o vídeo viral omite o início e o fim do raciocínio do presidente. Em vez de defender que pobres não devem estudar, Lula criticou a exclusão histórica das classes populares do ensino superior e reforçou a defesa de políticas de inclusão educacional.