VÍDEO – Porta-voz de Israel ignora pergunta sobre bombardeio a escola de meninas no Irã

Atualizado em 2 de março de 2026 às 11:12
Oren Marmorstein,porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel. Foto: reprodução

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, evitou responder a questionamentos sobre o bombardeio a uma escola primária para meninas na cidade iraniana de Minab, no sul do Irã, episódio que deixou mais de 150 mortos, segundo autoridades iranianas. O tema surgiu durante uma coletiva de imprensa no último domingo (1°) após a escalada de ataques de Israel e Estados Unidos no Irã.

Durante a entrevista, um repórter do Channel 4 News perguntou sobre o ataque e afirmou que Israel “carece de autoridade moral” enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta um mandado de prisão por crimes de guerra. Ao insistir sobre a morte de estudantes, o jornalista questionou: “E quanto às cerca de 100 alunas mortas no ataque no Irã?”.

O porta-voz se recusou a comentar e encerrou o assunto: “Próxima pergunta. […] Vamos dar oportunidade a outros, por favor”.

O bombardeio ocorreu no sábado, quando Israel lançou uma ofensiva em larga escala contra o território iraniano, alegando a necessidade de “eliminar as ameaças ao Estado” israelense.

Explosões foram registradas em diferentes áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a participação estadunidense na operação e declarou que “bombas cairão por toda parte”.

A ofensiva foi precedida por semanas de tensões envolvendo o programa nuclear iraniano. Washington e Tel Aviv pressionavam Teerã a alterar sua política nuclear, enquanto o governo iraniano insistia no direito de desenvolver tecnologia para fins pacíficos.

Na véspera dos ataques, Trump declarou insatisfação com as negociações e afirmou: “Eles precisam dizer: ‘Não vamos desenvolver armas nucleares'”. O Irã reiterou que não pretende produzir armamento nuclear e classificou como “absolutamente inaceitável” a exigência de interromper totalmente o enriquecimento de urânio.

Segundo a mídia estatal iraniana, o ataque à escola em Minab deixou inicialmente mais de 80 mortos, número que ultrapassou 100 vítimas de acordo com o embaixador do país na ONU, Amir-Saeid Iravani. Autoridades iranianas atribuíram a responsabilidade a Israel e aos Estados Unidos.

Durante a ofensiva, o aiatolá Ali Khamenei foi morto, conforme confirmado posteriormente pelo governo iraniano após declarações de Trump.

Em resposta aos bombardeios, o Irã lançou mísseis contra Israel e atingiu bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, incluindo instalações no Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. O aeroporto de Dubai sofreu danos estruturais e houve registros de feridos, enquanto um drone militar explodiu após atingir um edifício residencial no Bahrein.

Imagens divulgadas por agências internacionais também mostram destruição em Tel Aviv. Autoridades israelenses confirmaram ao menos uma morte decorrente dos ataques iranianos. A escalada amplia o risco de um conflito regional de grandes proporções e mobiliza a comunidade internacional, que acompanha com preocupação a deterioração da segurança no Oriente Médio.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.