
O padre Júlio Lancellotti afirmou que foi “doloroso” sofrer ataques morais do humorista Danilo Gentili, condenado pela Justiça de São Paulo a pagar indenização por danos morais ao religioso. Em entrevista ao UOL News, ele classificou a decisão como pedagógica e defendeu limites contra manifestações ofensivas.
A ação tratou de publicações de Gentili nas redes sociais com ofensas e conotação homofóbica contra o padre, incluindo montagens e imagens manipuladas por inteligência artificial. A condenação ainda pode ser alvo de recurso.
“Sempre é doloroso ser atingido, seja de forma humorística ou de qualquer outra forma, de forma pejorativa, de forma ácida, de forma a destruir a pessoa”, disse o padre. Para ele, a liberdade de expressão não autoriza ataques à dignidade humana.
Padre Júlio afirmou que recebeu a decisão com serenidade e que espera que ela ajude a estabelecer uma comunicação livre, mas sem conteúdo destrutivo ou ofensivo. “Nós precisamos ter um parâmetro de respeito à dignidade humana, de respeito aos direitos humanos”, declarou.
Padre relata envio de provas às autoridades
Questionado pelo jornalista Leonardo Sakamoto sobre os ataques que recebe, o religioso disse identificar ações “orquestradas” e perfis que podem ser falsos ou automatizados. Ele relatou que reúne capturas de tela e as encaminha à polícia e a uma delegacia especializada.
O padre declarou que algumas pessoas já foram chamadas a explicar as manifestações publicadas contra ele. Segundo Lancellotti, a coleta das provas exige trabalho constante diante da continuidade de ataques em redes sociais.
Ele também defendeu responsabilização legal e ética para conter novas agressões, especialmente diante da disseminação de deepfakes e fake news. “É preciso que essa inibição seja uma inibição legal, ética”, afirmou.
Ao explicar por que levou o caso à Justiça, Padre Júlio disse que buscava um “efeito pedagógico demonstrativo”. Ele citou que expressões racistas e homofóbicas não devem ser toleradas sob o argumento de liberdade de expressão.
O religioso relatou ainda que, em uma audiência de conciliação, recebeu uma proposta de R$ 8 mil para retirar a ação, mas decidiu manter o processo. Ele disse que Gentili reiterou ofensas durante o encontro e que o conciliador não registrou as falas na ata.
Padre Júlio informou que destinará o valor da indenização à Pastoral do Povo da Rua de São Paulo. O processo atinge Danilo Gentili como pessoa física.