
Uma bolsonarista atacou um estudante negro com ofensas racistas no Metrô de São Paulo após uma discussão neste domingo (18). A vítima, Márcio Ferreira, foi chamada de “preto do caralho” e decidiu gravar a mulher, que não foi identificada, na estação Vila Sônia.
Nas imagens, a mulher usa a expressão cinco vezes e afirma ser bolsonarista “graças a Deus”. Ela também diz: “Eu sou brasileira”, antes de repetir a ofensa e chamar Márcio de “hipócrita”.
Márcio contou que a confusão começou por volta das 19h50, em um vagão. A mulher estava acompanhada da filha, estudante, e discutia com três jovens que sustentavam que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) prejudicaria a educação pública.
Segundo o estudante, a mulher se levantou e partiu para cima dos jovens com ofensas homofóbicas. Márcio, que não conhecia os envolvidos, interveio para evitar uma agressão física enquanto a filha da mulher chorava.
Uma senhora bolsonarista gritando “preto do caralho” para um jovem por ser chamada de bolsonarista.
Daí ele pergunta se ela é bolsonarista e ela diz: “eu sou graças a Deus”.
Tenebroso, eles perderam qualquer medo e vergonha. pic.twitter.com/xDwGuNMG78
— Mariana Oliveira (@marioliveirain) October 19, 2026
Segurança alertou para crime de racismo
Márcio afirmou que tentou defendê-la apesar de discordar do bolsonarismo. “Quando falei de ela ser bolsonarista e eu defendê-la mesmo sendo contrário ao bolsonarismo, ela surtou e começou me xingar”, relatou.
Um segurança da concessionária Motiva interveio após Márcio responder e chamar a mulher de “racista de merda”. A mulher pediu que o estudante fosse preso e admitiu: “Eu falei que ele é um preto de bosta”. O funcionário respondeu: “Isso é racismo”.
A Lei 7.716/1989 prevê punição para ofensas contra alguém em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional. Desde 2023, a legislação passou a enquadrar a injúria racial como crime de racismo.
Márcio não registrou boletim de ocorrência naquela noite e disse que os seguranças da Motiva o acolheram. A concessionária não respondeu se acionou a Polícia Militar para atender a ocorrência e avaliar uma prisão em flagrante.