
O rapper Tekashi 6ix9ine afirmou que Nicolás Maduro autografou um boneco do Bob Esponja enquanto os dois estavam presos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York. O vídeo foi gravado na sexta-feira (3), quando o artista deixou a unidade prisional após cumprir três meses de detenção por violar os termos de sua liberdade condicional. Ao sair, Tekashi foi recebido por amigos e mostrou o objeto à câmera, transformando o episódio em mais um momento de repercussão nas redes sociais.
No vídeo, publicado no Instagram, onde reúne mais de 24 milhões de seguidores, o rapper apareceu deixando a prisão e, logo depois, exibiu o boneco do personagem. Ao mostrar o objeto, disse: “Maduro autografou.” Na sequência, acrescentou que o ex-presidente venezuelano, sequestrado pelos EUA, teria completado a dedicatória com a frase “Venezuela para sempre”.
Tekashi 6ix9ine, cujo nome verdadeiro é Daniel Hernández, tem origem mexicana e porto-riquenha e já havia sido preso após ser indiciado, em 2019, ao lado de seu empresário e de integrantes da facção Nine Trey Gangsters. Na ocasião, ele se declarou culpado e depois colaborou com a acusação no tribunal. Agora, voltou a cumprir pena por desrespeitar as condições impostas em sua liberdade condicional.
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Já Maduro foi levado ao centro de detenção após ser sequestrado por forças especiais estadunidenses durante uma operação militar realizada em janeiro. A ex-primeira-dama Cilia Flores também foi detida. Ambos são acusados de tráfico de drogas e narcoterrorismo.
Três meses depois da ação dos Estados Unidos contra a Venezuela, realizada em 3 de janeiro, o caso segue cercado por incerteza. Até o momento, não há data prevista para o julgamento do ex-presidente, descrito no texto como acusado sem provas de conspiração para narcoterrorismo e outros crimes.
Enquanto isso, a Venezuela segue sob o comando interino de Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro. Apesar da pressão externa e das mudanças em curso, o texto afirma que a Revolução Bolivariana continua ativa, com mobilizações populares pedindo a libertação de Maduro e Cilia Flores.
O economista e professor de Relações Internacionais da UFABC Alexandre Favaro Lucchesi avalia que a estratégia adotada por Donald Trump expõe um interesse mais profundo ligado ao petróleo venezuelano. “Essa operação, que foi precisa, cirúrgica para tirar Maduro do poder, fazia parte de uma estratégia de longo alcance de impedir que aqueles resistentes à estratégia de controle econômico dos Estados Unidos sobre a Venezuela, saíssem do caminho”, afirmou em entrevista ao Brasil de Fato.
Na mesma linha, Lucchesi diz que o chavismo permanece vivo, embora passe por adaptações. “Você tem elementos populares mobilizados e você tem núcleo do governo com estruturas ainda remanescente do chavismo. E você tem a vice do Maduro no cargo da presidência agora de maneira interina. O que você não tem mais? A condução da política econômica estatizada. Agora você tem economistas, tem quadros técnicos lá, que a gente chama aqui de uma certa tecnocracia já atuando em favor de uma abertura. Isso rearranja a linha condutora do governo”, citou.
Para ele, esse movimento se explica pela pressão do cenário atual. “Esse recuo, na verdade, é um recuo tático por conta da força com que o Trump agiu”.