VÍDEO – Silvio Almeida se pronuncia sobre denúncia da PGR: “Irresponsabilidade”

Atualizado em 1 de abril de 2026 às 11:57
Silvio Almeida em declaração após denúncia da PGR. Foto: reprodução

O ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida voltou a se manifestar publicamente sobre a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (1°), Almeida negou as acusações, classificou o caso como fruto de ação “irresponsável” e afirmou que o episódio foi usado para afastá-lo da vida política.

Sem citar nomes, ele também sugeriu que estaria sendo alvo de adversários sem realizações concretas para apresentar. No pronunciamento, o ex-ministro afirmou que, durante a fase de inquérito, não teve condições efetivas de se defender e que agora pretende enfrentar formalmente a acusação.

O ex-ministro disse ainda enxergar um movimento político por trás do caso. “Durante o inquérito, na prática, eu não pude me defender. Agora, poderei. Mas fiquemos atentos porque há movimentações muito previsíveis. A quem não tenha nenhuma realização para mostrar, nenhuma proposta para oferecer e que por isso chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente apenas para eliminar aquele que considera um adversário ou para erguer sobre uma mentira uma bandeira eleitoral”, explicou, em um um trecho do pronunciamento.

Silvio Almeida também buscou ampliar o debate para além da denúncia em si, associando o caso a temas como a luta das mulheres contra a violência e o racismo estrutural. Segundo ele, a gravidade da violência contra as mulheres teria sido instrumentalizada de forma distorcida no episódio.

“A luta das mulheres contra a violência é uma das causas mais mais importante no nosso tempo. E foi exatamente por isso que sua distorção funcionou tão bem nesse caso”, completou.

Em seguida, afirmou que sua retirada da vida pública também estaria relacionada à forma como homens negros são vistos socialmente. “A forma violenta e injusta com que eu fui retirado da vida pública, também se apoiou em uma outra realidade que merece igual atenção. A situação dos homens negros numa sociedade que frequentemente nos associa à brutalidade e ao descontrole”.

A denúncia contra o ex-ministro foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso tramita sob sigilo e está sob relatoria do ministro André Mendonça. O processo tem como base o relato de Anielle Franco, que deixará o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também prestou depoimento no âmbito da apuração.

Silvio Almeida foi exonerado do cargo em setembro de 2024, após a divulgação das denúncias encaminhadas à organização Me Too. Anielle depôs no mês seguinte.

A ministra ainda não comentou o vídeo mais recente do ex-ministro, mas, após a denúncia da PGR, já havia se pronunciado nas redes sociais. “É mais uma etapa do reconhecimento da verdade”, escreveu. “Também é um estímulo para que mulheres não sofram em silêncio e denunciem os agressores”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.