VÍDEO: Soldados israelenses atacam equipe da CNN e associação denuncia violência

Atualizado em 28 de março de 2026 às 17:36
Soldado Israelense aponta arma para jornalista

Uma associação internacional de imprensa condenou o que classificou como um “ataque violento” de soldados israelenses contra uma equipe da CNN que fazia cobertura na Cisjordânia ocupada nesta semana.

Segundo a Foreign Press Association (FPA), os jornalistas foram detidos enquanto reportavam as consequências de um ataque promovido por colonos israelenses e a instalação de um posto avançado ilegal próximo à vila palestina de Tayasir, na quinta-feira.

De acordo com a entidade, “os soldados alvejaram agressivamente a equipe e civis palestinos presentes, apontando rifles contra eles”, mesmo após os profissionais se identificarem como imprensa. Ainda segundo o relato, os militares tentaram repetidamente impedir o trabalho jornalístico, ordenando que as filmagens fossem interrompidas e ameaçando confiscar os equipamentos.

A situação se agravou quando um soldado das Forças de Defesa de Israel abordou o fotojornalista por trás, aplicou um golpe de estrangulamento, o derrubou no chão e danificou sua câmera. A FPA informou que o profissional é Cyril Theophilos, informação confirmada pela própria CNN.

O jornalista Cyril Theophilos

A associação, que representa centenas de jornalistas que atuam em Israel e nos territórios palestinos, pediu a abertura de uma investigação e afirmou que o episódio não foi um mal-entendido. “Foi um ataque violento contra jornalistas claramente identificados e um ataque direto à liberdade de imprensa”, declarou.

A entidade também criticou o uso de força, classificando-o como “excessivo e perigoso”, e alertou para um padrão preocupante de hostilidade contra a mídia. “Apontar rifles para jornalistas e civis, agredir fisicamente um cinegrafista e deter uma equipe ultrapassa todos os limites”, disse.

Em resposta, um porta-voz das Forças de Defesa de Israel, o tenente-coronel Nadav Shoshani, afirmou que o caso será investigado. Em publicação na rede X, ele declarou que a conduta dos soldados “não representa o IDF” e “contraria o que se espera de seus membros”.

Shoshani acrescentou que já pediu desculpas pelo ocorrido: “Isso não deveria ter acontecido. Nosso trabalho é manter a lei e a ordem, o que inclui garantir a liberdade de imprensa”.

Este é o segundo incidente envolvendo profissionais da CNN no mês. Dias antes, durante o mês sagrado do Ramadan, uma produtora da emissora sofreu uma fratura no pulso após o que foi descrito como um ataque não provocado por policiais israelenses, enquanto jornalistas registravam fiéis rezando do lado de fora das muralhas da Cidade Velha, em Jerusalém Oriental.

A violência na Cisjordânia segue intensa mesmo após o cessar-fogo firmado em outubro de 2025 na Faixa de Gaza. Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, também houve um aumento de ataques letais de colonos israelenses na região. Veja o vídeo: