
O influenciador Marco Antônio Costa, conhecido como “Superman da Jovem Pan”, atacou o Supremo Tribunal Federal (STF) durante o ato bolsonarista realizado no domingo na Avenida Paulista, em São Paulo, convocado por parlamentares de extrema-direita, entre eles Nikolas Ferreira (PL-MG). Pré-candidato ao Congresso e ex-comentarista da Jovem Pan, ele classificou a Corte como uma “seita satânica” e comparou ministros ao regime dos aiatolás do Irã.
A declaração ocorreu após o influenciador ser questionado por um criador de conteúdo sobre a atuação do STF. Perguntado se a Corte respeita a Constituição, respondeu: “Não, pelo contrário. Hoje o Supremo Tribunal Federal virou uma seita satânica com super poderes, um negócio macabro, uma câmara de tortura, uma espécie de Aiatolá”.
Em seguida, afirmou: “Lá [no STF], você tem os aiatolás que reinterpretam a Constituição de acordo com o desejo do momento deles. Então, se a Constituição na cabeça deles diz para manter um ministro que tem uma mulher com R$ 129 milhões de contrato firmado com o Banco Master, ou com resort com esquema de corrupção com Vorcaro”.
O bolsonarista ainda alegou a relação milionária do banqueiro com os ministros se justifica porque, na acusação de Marco Antônio, “que está comprando decisão, comprando voto, comprando acórdão e lobby de ministros do Supremo. Dele (Moraes), do Toffoli, do Gilmar Mendes”.
Por fim, ele disse que “essa galera toda tem que ser presa”: “Essa é a única e indestrutível verdade. Se houver justiça no Brasil ainda, ou um pingo dela, tem de ser para prender esses caras. Só isso vai destravar o país”.
DENÚNCIA GRAVÍSSIMA! durante ato bolsonarista convocado por Nikolas Ferreira na Paulista, o pré-candidato Marco Antônio Costa, conhecido como Superman da Shopee, acusou o STF de ser uma seita satânica e um regime ayatolá. Disse também que ministros assinam contratos milionários… pic.twitter.com/Jt6cBNcB0u
— Ivan Vieira 🇧🇷 (@ivanvieira_5) March 2, 2026
A mulher citada pelo influenciador é Viviane Barci de Moraes, casada com o ministro Alexandre de Moraes. Ela assinou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, instituição investigada por fraudes contra o sistema financeiro.
O acordo previa pagamento mensal de R$ 3,6 milhões ao escritório durante três anos, entre 2024 e 2027, para atuação em processos envolvendo Banco Central, Receita Federal, Congresso Nacional, Ministério Público, Polícia Judiciária, Poder Judiciário e órgãos do Executivo e Legislativo. Após a liquidação do banco pelo Banco Central, os pagamentos foram interrompidos.
Outro ponto mencionado no discurso foi a relação do ministro Dias Toffoli com a empresa Maridt, ligada ao grupo Tayayá, proprietário de um resort no Paraná. Toffoli confirmou que foi sócio da companhia e afirmou ter deixado a participação em 2021 ao vender suas cotas ao fundo Arllen, apontado como ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master.
O ministro declarou que “jamais recebeu qualquer valor” do empresário ou de seu cunhado e sustentou que sua atuação seguiu a Lei Orgânica da Magistratura, que permite participação societária sem envolvimento na gestão.
Relatório da Polícia Federal mencionou conversas entre Vorcaro e Fabiano Zettel com referências a pagamentos destinados à Maridt, empresa da qual Toffoli recebia dividendos. O ministro afirmou desconhecer o gestor do fundo Arllen e reiterou não possuir vínculo pessoal com o banqueiro.