VÍDEO: Tiburi afirma que Globo “perdeu” para mídia independente após PowerPoint golpista do Master

Atualizado em 29 de março de 2026 às 14:33
A filósofa Marcia Tiburi. Foto: Fabiana Reinholz

A reação das redes sociais e da mídia independente impediu que o “PowerPoint” golpista exibido pela Globo se consolidasse como narrativa dominante sobre o caso Daniel Vorcaro. Essa é a avaliação da filósofa Marcia Tiburi, que afirmou ter havido uma resposta rápida no ambiente digital para contestar a leitura apresentada e recolocar em debate outras conexões políticas, econômicas e midiáticas ligadas ao episódio.

Para ela, em entrevista ao Brasil 247, o material televisivo não conseguiu encerrar a discussão e acabou impulsionando uma nova onda de questionamentos. Na ocasião, Marcia Tiburi disse que a repercussão imediata nas redes foi decisiva para frear o efeito da apresentação exibida pela emissora. “Não deu certo porque existem as redes sociais e toda uma mídia alternativa que se pronunciou”, afirmou.

Na sequência, acrescentou: “Vários grupos e vários veículos fizeram o PowerPoint que precisava ser feito, o verdadeiro PowerPoint, mostrando os sujeitos que têm relação direta com a questão do Vorcaro”. Na visão da filósofa, o episódio deixou claro que já não é mais possível impor uma versão única dos fatos sem enfrentar contestação pública.

Ao comentar a tentativa de conduzir a interpretação do caso, Tiburi afirmou que o conteúdo exibido não correspondeu à gravidade do que está em discussão. “Que coisa grotesca, não é? Porque isso fere a nossa inteligência”, disse.

Segundo ela, a circulação de respostas nas redes desmontou a tentativa de fixar uma narrativa fechada e ampliou o alcance do debate ao longo do fim de semana. Em vez de encerrar a controvérsia, o “PowerPoint” abriu espaço para mais conteúdo crítico e para o reposicionamento de personagens e relações que, de acordo com sua análise, haviam sido deixados de lado.

Marcia Tiburi também afirmou que o caso não pode ser reduzido a uma simples disputa de versões ou a um espetáculo passageiro. Para ela, o centro da questão envolve o desvio de recursos que pertenciam a trabalhadores e futuros aposentados.

“Quando a gente olha com atenção, pensa no horror que é ver pessoas que tiveram coragem de esvaziar fundos de gente trabalhadora, de gente pobre, de pessoas que contavam com esse dinheiro para se aposentar no futuro”, declarou. Na avaliação da filósofa, esse elemento ajuda a explicar a indignação provocada pelo caso e a força da reação à narrativa televisiva.

Durante a entrevista, Tiburi defendeu a retomada de um debate mais direto sobre ética. “Nós precisamos voltar a falar de ética na política e de ética na vida cotidiana”, disse. Ao aprofundar esse ponto, foi enfática ao tratar da dimensão moral do episódio.

“É gente que roubou de gente pobre para comprar roupa de marca, relógio de marca, carro de marca, champanhe de marca”, afirmou. Para ela, a resposta da mídia alternativa foi além da crítica a uma peça de comunicação específica e revelou uma disputa mais ampla sobre quem define a interpretação dos fatos em momentos de crise.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.