
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu publicamente o interesse no petróleo da Venezuela após a operação militar que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. Em conversa com jornalistas a bordo do avião presidencial, no domingo (4), Trump afirmou que dialogou com companhias petrolíferas dos Estados Unidos “antes e depois” da ofensiva.
Ele afirmou que empresas estadunidenses pretendem gastar vários bilhões de dólares para reerguer o setor. “Eles querem entrar, e vão fazer um grande trabalho para o povo da Venezuela”, disse o republicano.
A declaração foi feita um dia depois de forças estadunidenses realizarem uma operação militar durante a madrugada em território venezuelano, prendendo Maduro e a esposa, Cilia Flores.
Autoridades dos Estados Unidos informaram que o casal está detido no Centro Metropolitano de Detenção, no Brooklyn, e enfrenta acusações relacionadas a narcotráfico e crimes envolvendo armas.
Reporter: Did you speak with the oil companies before the operation? Did you tip them off?
Trump: Before and after. They want to go in and they’re going to do a great job. pic.twitter.com/zxOG648Ww0
— Acyn (@Acyn) January 5, 2026
O impacto das ações foi imediato nos mercados financeiros. No primeiro pregão da semana de 2026, ações de grandes companhias de petróleo registraram forte valorização com a possibilidade de se apossarem do petróleo venezuelano.
Chevron, ConocoPhillips e Valero Energy avançaram cerca de 9% cada, enquanto os papéis da ExxonMobil subiram quase 4% no pregão noturno. A Marathon Petroleum também teve alta superior a 9%, segundo dados do Yahoo Finance.
Com a abertura do mercado prevista para a manhã seguinte, analistas apontaram que as grandes petroleiras dos Estados Unidos poderiam adicionar mais de US$ 100 bilhões em valor de mercado de forma combinada, impulsionadas pela expectativa de investimentos bilionários na reconstrução da infraestrutura energética da Venezuela.
O reflexo também foi sentido nas empresas de serviços de campos petrolíferos. As ações da Halliburton saltaram 11%, enquanto a SLB registrou alta de 12% no pregão noturno.
O movimento reforçou a percepção de que a ofensiva dos Estados Unidos abriu caminho para uma ampla reorganização do setor de energia venezuelano sob influência direta de companhias estrangeiras.
Os preços do petróleo também reagiram, ainda que de forma moderada. De acordo com a CNBC, o barril do West Texas Intermediate subiu 11 centavos, para US$ 57,43, enquanto o Brent avançou 17 centavos, alcançando US$ 60,92 por barril no início da noite de domingo.
A Venezuela é membro da Opep, e a perspectiva de intervenção externa em sua produção gerou especulações sobre impactos futuros na oferta global.