VÍDEO: Zema quebra lei de BH para ironizar o PT e dá desculpa esfarrapada

Atualizado em 30 de novembro de 2025 às 18:04
Romeu Zema soltando fogos. Foto: reprodução

O governador Romeu Zema (Novo) publicou no sábado (29) um vídeo que gerou polêmica ao mostrar fogos de artifício sendo estourados em sua residência, em Belo Horizonte, para comemorar a derrota do PT em um processo judicial movido contra ele. A gravação, feita em tom irônico, e sem originalidade, mostra Zema afirmando que fica “muito triste com a notícia” antes de acender os fogos, em imitação a um meme de um torcedor do Atlético-MG celebrando o rebaixamento do Cruzeiro em 2019.

A publicação, porém, entrou em conflito com a legislação municipal. Uma lei de 2022 proíbe a queima de fogos de artifício com estampido na capital mineira, além de outros artefatos pirotécnicos que produzam ruído.

Regulamentada em 2023, a norma estabelece multa de R$ 100 para quem descumpri-la, com valores maiores em caso de reincidência. Questionada sobre eventual autuação, a Prefeitura de Belo Horizonte não respondeu.

Após repercussão negativa, o Governo de Minas afirmou que o barulho dos fogos teria sido adicionado na edição do vídeo. A justificativa foi encaminhada pela assessoria à Folha de S.Paulo como comentário do próprio governador, mas não houve esclarecimento sobre a gravação das imagens ou o uso dos artefatos.

Vitória na Justiça e fake news

O vídeo foi publicado após a juíza da 13ª Vara Cível de Brasília, Vanessa Maria Trevisan, rejeitar a ação do PT contra o governador. O partido solicitava que Zema apagasse publicações nas quais dizia que a sigla “roubou dinheiro dos aposentados”, referência às investigações sobre descontos não autorizados no INSS.

Na decisão, a magistrada considerou que as declarações estavam no campo da crítica política. Segundo ela, “em situações de relevante interesse público”, a liberdade de expressão deve ser regra, desde que sem extrapolar limites legais.

A vitória judicial ocorre em um momento em que Zema intensifica ataques ao PT e ao presidente Lula, alinhando-se a pautas que reforçam sua imagem como adversário da esquerda no cenário nacional.

Embora a extrema-direita tenha saído na frente da divulgação do caso como “mais um roubo petista”, as evidências que surgem com as investigações apontam para responsabilização de bolsonaristas, como José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS, que foi indicado ao cargo pelo seu colega, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.