
Na última quarta-feira (11), a cidade de Buenos Aires foi palco de intensos confrontos entre manifestantes e policiais, durante um protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei. O projeto, que está em trâmite no Senado, propõe uma série de mudanças nas leis trabalhistas, incluindo flexibilização de contratos, redução de indenizações, facilidade para demissões e limitações a direitos dos trabalhadores.
A reforma gerou grande resistência, principalmente de sindicatos e grupos políticos de esquerda, que organizaram a manifestação em frente ao Congresso Nacional.
A tensão nas ruas de Buenos Aires foi palpável desde o início da manifestação, que teve como alvo o Palácio Legislativo. Segundo relatos locais, a polícia começou a reprimir os protestos por volta das 15h, ao tentar confiscar bandeiras de ativistas de esquerda.
O uso de spray de pimenta pelos policiais intensificou os conflitos, que rapidamente se espalharam. Mais tarde, manifestantes lançaram pedras, garrafas e outros objetos contra os policiais, além de preparar coquetéis molotov para enfrentar a repressão.
O conflito levou à intervenção de um caminhão com canhão d’água, enquanto as forças de segurança dispararam balas de borracha para dispersar os manifestantes. O projeto de reforma trabalhista, considerado crucial para o programa de Milei, tem como objetivo modernizar as relações de trabalho e reduzir custos trabalhistas.
O governo argumenta que as mudanças são necessárias para formalizar o mercado de trabalho argentino, que enfrenta um alto índice de informalidade, com cerca de 40% dos trabalhadores sem vínculo formal. A reforma também busca reduzir os custos com litígios trabalhistas, um ponto que, segundo a Casa Rosada, será fundamental para estimular a criação de empregos e a recuperação econômica.
População da Argentina Pede greve geral contra a reforma trabalhista de Milei que aumenta jornada de trabalho, extingue pagamento de horas extras,flexibiliza férias, estimula demissões e restringe direito de greve,o projeto tramita no Senado.
Nunca votem na extrema-direita! pic.twitter.com/jrVqC5aDwL— HenriqueRJ🤝 (@Henriy123) February 12, 2026
Por outro lado, a oposição e muitos sindicatos, incluindo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), argumentam que a reforma não gerará empregos e poderá agravar a crise econômica. Os críticos afirmam que a medida não leva em conta o contexto de estagnação econômica, queda do consumo e recuo da produção industrial.
Daniel Rosato, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas Industriais Argentinas (IPA), mencionou que a destruição de empresas pela abertura indiscriminada das importações é o verdadeiro problema enfrentado pelos empresários, apontando que 18 mil empresas fecharam nos últimos dois anos.
A proposta de reforma não se limitou à flexibilização dos contratos trabalhistas, mas também modificou questões relacionadas às indenizações, férias e ao direito de greve. Embora tenha enfrentado resistência, o governo de Milei negociou cerca de 30 modificações no texto original para garantir sua aprovação rápida na Câmara dos Deputados.
A meta é transformar o projeto em lei antes de 1º de março, quando será aberta a sessão ordinária do Congresso. A aprovação no Senado aconteceu após 13 horas de debates, com 42 votos favoráveis e 30 contrários.
A reforma também enfrenta resistência interna dentro dos próprios sindicatos, com grupos mais combativos, como o sindicato dos trabalhadores do setor de óleo (Aceiteros), que pedem uma greve geral contra o projeto. Alguns sindicatos consideram que a reação da CGT, mais moderada, não foi suficiente para enfrentar as propostas de Milei e sua política de abertura econômica.
Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, o mercado de trabalho argentino perdeu cerca de 300 mil empregos formais, principalmente nos setores da construção civil e da indústria. Ao mesmo tempo, o projeto tem sido uma exigência do Fundo Monetário Internacional (FMI) no contexto de um programa de ajuda financeira assinado com a Argentina.
🇦🇷 A repressão brutal de Javier Milei ao protesto em Buenos Aires contra a sua reforma trabalhista medieval deixou dezenas de pessoas feridas. E pelo menos trinta manifestantes foram presos.
📽️ @claralopesouza
Fotos da capa: @shokargentina pic.twitter.com/zjw0CifdRi— Rogério Tomaz Jr. (@rogeriotomazjr) February 12, 2026
População da Argentina Pede greve geral contra a reforma trabalhista de Milei que aumenta jornada de trabalho, extingue pagamento de horas extras,flexibiliza férias, estimula demissões e restringe direito de greve,o projeto tramita no Senado.
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