VÍDEOS desmentem versão do ICE de que homem morto estaria armado

Atualizado em 24 de janeiro de 2026 às 18:56
A vítima no momento em que era abordada por agentes federais em Minneapolis

Vídeos analisados pelo The New York Times indicam que um homem morto por agentes federais em Minneapolis, nos Estados Unidos, se aproximava com um celular na mão, e não com uma arma de fogo, contrariando a versão oficial divulgada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). O episódio ocorreu na manhã deste sábado (24) e intensificou a tensão em torno das ações federais ligadas à política anti-imigração do governo de Donald Trump.

Segundo o DHS, o confronto teria começado após o homem abordar agentes da Patrulha da Fronteira armado, o que teria motivado a reação. As imagens, porém, mostram o indivíduo segurando um telefone enquanto caminhava em direção aos agentes. Em nenhum momento dos vídeos analisados pelo jornal é possível ver uma tentativa clara de sacar uma arma antes de ele ser imobilizado.

A análise quadro a quadro feita pelo New York Times aponta que vários agentes cercaram o homem, agarraram suas pernas e pressionaram seu corpo contra o chão. As imagens mostram golpes repetidos durante a tentativa de contenção, mas não esclarecem exatamente o que levou ao início da abordagem.

Em determinado momento, um agente parece retirar uma arma do meio do grupo enquanto outro saca a própria pistola. Um deles aponta a arma para as costas do homem e dispara à queima-roupa. Em seguida, outros tiros são efetuados, mesmo após o homem cair no chão.

Um terceiro agente também desembainha a arma, e novos disparos são feitos enquanto a vítima permanece imóvel. De acordo com a contagem visual das gravações, ao menos dez tiros foram disparados em um intervalo de cerca de cinco segundos.

O caso gerou forte repercussão nos Estados Unidos e ampliou as críticas à atuação de forças federais em operações internas, especialmente em um contexto de protestos e resistência civil às políticas migratórias. Autoridades estaduais já sinalizaram desconfiança em relação a investigações conduzidas exclusivamente pelo governo federal.